
Bolachões nunca sumiram do mapa Engana-se quem pensa
que eles viram peça de museu. DJs, produtores e Não se pode dizer que os bolachões estão voltando porque a verdade é que eles nunca desapareceram. Seja devido aos colecionadores, aos produtores independentes ou aos DJs o fato é que os famosos LPs (Long Plays) de vinil continuaram a girar no prato dos toca-discos, mas ao contrário destes - que hoje parecem geringonças ou peças de museu - os discos continuam encantando e ganharam, até um aura "cult". Assim como Durval de Ary França, existem vários colecionadores que fizeram da paixão uma profissão. Luiz Calanca, dono da loja Baratos Afins, nas Grandes Galerias, é um desses casos. Possui um acervo em sua loja de quase 90 mil títulos. Número que parece ainda mais expressivo quando comparado aos 25 mil títulos de CDs da loja. Calanca tem uma coleção particular de cerca de 15 mil LPs. Em sua loja, a procura de vinis representa quase 40% de venda de CDs, cerca de mil títulos por mês. Sua preferência pelos LPs faz com que seja um freqüentador assíduo da Rua Santa Ifigênia, para onde corre toda vez que precisa das (alguém se lembra?) agulhas de toca-discos. Mas ninguém pense que tratam-se de velharias, um dos itens mais importantes de quem ouve LPs, as agulhas custam de US$ 30 a US$ 6 mil. Além de Calanca e de sebos no centro da cidade, há outros endereços para caçadores de vinil, como a praça Benedito Calixto, em Pinheiros, e a Internet. Sites como o www.ibazar.com.br e o www.bol.com.br têm áreas específicas para venda dos bolachões. Há discos que chegam a custar mais de R$ 100. Moda Virou moda entre alguns artistas e bandas lançar edições limitadas em vinil de seus álbuns. Entre a turma da música eletrônica a prática é mais comum. No ano passado, a empresa inglesa Vestax (clique aqui para ler mais) criou um aparelho que transforma músicas de arquivos MP3 em vinil. O vinyl recorder custa cerca de US$ 6,5 mil e um disco de vinil virgem, US$ 40. Para suprir este mercado, grandes gravadoras, responsáveis pela prensagem dos LPs, foram substituídas por pequenas empresas. Uma das poucas a produzir discos de vinil no Brasil é a carioca Poly Som (tel.: 0xx21 761-4988), que fica em Belford Roxo, no Rio. A fábrica produz os LPs de 12 polegadas, que suportam no máximo 17 minutos de cada lado, e os compactos de sete polegadas, com limite de seis minutos por lado. Mas o mercado ainda é pequeno. Com capacidade para produzir 5 mil vinis por dia, a Poly Som tem uma média de 8 mil discos produzidos por mês. "Atendemos produtoras independentes, DJs e até algumas gravadoras como a Universal, mas cogitamos fechar a unidade de vinil devido à pequena procura deste ano", conta Luciana Gonçalves, responsável pelo atendimento aos clientes. Pesa o fato de que o acetato, uma das matérias-primas do vinil, ser importado de Nova Jersey, EUA. A despeito desta má fase, os fãs continuam sua busca. As capas dos discos são outro ponto a favor do vinil. Nesse espaço trabalharam artistas dos mais variados como Klaus Voormann (no disco Revolver, dos Beatles) e Andy Warhol (Sticky Fingers, dos Rolling Stones). "Aquele espaço do CD é ridículo", sentencia Calanca. Fonte: Jornal da Tarde - Caderno SP Variedades
(24/04/2001) |