 |
|
|
No que você pensa quando se fala em tubos e conexões? Pois pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), viram nesses materiais, a possibilidade de enriquecer o ambiente em que vivem animais de laboratórios como ratos e camundongos. Para eles, essas peças podem virar tocas, esconderijos e brinquedos.
“Roedores têm o habito de esconder-se e utilizar tocas no ambiente natural, principalmente no período claro do dia”, diz Marcel Frajblat, professor da Univali e presidente do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (Cobea), entidade que divulga a ciência em animais de laboratório. Ele explica que em laboratório isso não tem sido possível, uma vez que as caixas de alojamento não dispõem de espaço para que os animais possam esconder-se da luz artificial e até mesmo da presença dos humanos, vistos por eles como predadores ou ameaças à segurança.
O professor explicou ainda que o bem-estar animal envolve não só a condição física, mas também o estado psicológico e a possibilidade de poder expressar o comportamento natural: “O enriquecimento ambiental aumenta o estímulo e as pesquisas apontam que tubos de PVC são uma excelente forma de enriquecer o ambiente quando disponibilizados de forma que o animal possa interagir ou distrair-se e até mesmo esconder-se”, afirma Marcel.
Normalmente as caixas de alojamento dos animais são vazias, e preenchidas apenas com a cama (palha), mas os estudos realizados demonstraram que, além de aumentar o bem-estar dos animais, a inserção das peças de PVC não têm alterado o resultado de experimentos: “Já que não há prejuízo para a pesquisa, esta condição deve ser oferecida ao animal para o aumento de seu bem-estar”, aponta o professor. Ele explica ainda que como não existem objetos especificamente produzidos para este fim, a utilização de tubos de PVC é a estratégia mais apropriada.
A idéia foi tão bem aceita pelos pesquisadores que, durante a próxima reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, que acontece em agosto na cidade de Águas de Lindóia, o Cobea pretende oficializar o lançamento de uma campanha com a finalidade de estimular outros cientistas. Além disso, essa campanha também pretende sensibilizar empresas de tubos e conexões, para o enriquecimento ambiental de camundongos e ratos utilizados em pesquisa, por meio da doação de peças com defeitos, que seriam descartadas no processo de fabricação, uma vez que não se enquadrariam nos padrões para comercialização.
Para o pesquisador, essa ação é fundamental para ajudar a garantir o bem-estar desses animais: “Animais ainda são utilizados para o desenvolvimento de medicamentos, teste de vacinas, produção de próteses ortopédicas e cardíacas, entre outros, e serão utilizados enquanto não houver alternativas para o seu uso. Partindo dessa necessidade, temos a obrigação moral e ética de fornecer o máximo de bem-estar possível para eles durante sua permanência no laboratório”, conclui.
Fonte: Folha Blumenauense |