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JP desenvolve novo molde para implante de silicone

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JP desenvolve novo molde para implante de silicone

Produto, feito de PVC, é descartável e evita risco de contaminação em cirurgias de mama

A JP Indústria Farmacêutica S.A. acaba de lançar um produto que pode tomar-se padrão mundial nos procedimentos de cirurgia mamária de implante. Trata-se de um molde provador descartável, de plástico, para substituir o de silicone, reutilizável, cujo uso está proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Usar provador não-descartável é o mesmo que usar seringa de vidro", diz o inventor do produto, o cirurgião plástico Bashir Mussa Gazi, de Bauru, no interior de São Paulo.

O novo provador, devidamente patenteado, segundo o médico, é feito da mesma matéria-prima usada pela JP na fabricação de bolsas de sangue: PVC. Trata-se de uma bolsa plástica maleável que é facilmente enrolada e rapidamente inserida nas incisões mamárias, antes da colocação do implante definitivo. O provador é inflado, por meio de seringas, com soro fisiológico, até que os seios ganhem o volume desejado. Tem-se, assim, o volume correto para o implante definitivo de gel de silicone, em cirurgias de mastopatia de aumento e assimetria. O provador é inutilizado e descartado.

"O Bashir é muito criativo, pois adaptou o antigo expansor de tecido, usado para criar pele, para fazer o molde mamário", diz o cirurgião plástico Ithamar Nogueira Stocchero, presidente da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Para Stocchero, o custo do  novo produto -entre R$ 70 e R$ 80, segundo a JP - é tremenda mente mais barato do que o de um expansor de tecido, que vale de US$500 a US$ 1,7 mil. Segundo ele, o novo molde descartável "aumenta o grau de segurança das cirurgias."

Por enquanto, a JP oferece moldes descartáveis do modelo "redondo perfil alto", de 85 a 350 mililitros (ml). Em dois meses, produzirá a versão "perfil básico e anatômico". A JP espera conquistar uma boa parte do mercado de provadores. Em 2003, foram realizadas mais de 85 mil cirurgias de mama para implante de silicone, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, 80% delas com provadores. No restante, os cirurgiões usam imagens médicas e uma espécie de régua, ou então o "mamasize", usado por Stocchero - que são moldes plásticos na forma de concha, que ajudam a calcular o volume de silicone da prótese.

Em 2004, não há dados sobre o total de cirurgias mamárias. Resolução da Anvisa de abril do ano passado suspendeu a venda de moldes reutilizáveis, depois da notificação de 25 casos de infecção em pacientes que fizeram cirurgia de implante de prótese em Campinas Jundiaí SP e Goiânia.

A parceria entre JP e o cirurgião Bashir Gazi parece promissora, uma vez que seu molde provador descartável é o único produto do gênero aprovado pela Anvisa para uso em território nacional. André AliMere, diretor-geral da JP, também quer exportar o produto, que deve receber o selo CE para exportação, assim como já são certificados outros produtos da empresa, como as bolsas de sangue.

A JP e a controlada Olidefex exportam equipamentos médico-hospitalares para 25 países da América Latina, Ásia e África. Além de bolsas de sangue, o grupo produz incubadoras, berços, balanças, autoclaves, compressores e aspiradores. O faturamento neste ano deve ficar entre R$ 45 milhões e R$ 50 milhões.

Fonte: Gazeta Mercantil, 31/1/05 - pág. A-15.
Por Edson Álvares da Costa de Ribeirão Preto (SP).


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