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Sem bisturi, o material barato ganha perfil nobre em expo

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Sem bisturi, o material barato ganha perfil nobre em expo

E pensar que a intenção inicial do inglês Alexander Parkes, em 1862, era encontrar uma imitação barata para o marfim. Hoje o plástico pode até não estar salvando os pobres elefantinhos, cujos restos mortais ainda viram badulaques caros por aí. Tornou-se um material onipresente e barato, mas que ganha ares de nobreza graças ao design contemporâneo.

Tampas de leite em forma de tetas de vaca, esculturas infláveis de PVC por onde se pode caminhar, tapetes feitos de plástico transparente com especiarias. São apenas algumas das cerca de cem peças de 50 designers que estarão expostas na mostra "Plasticidades: Plástico + Design", que abre para o público na próxima sexta-feira, dia 7, no salão de exposições do CasaShopping.

A exposição vai ter também uma loja inflável

Segundo a curadora, Andréa Magalhães, a pesquisa foi feita em escritórios de vários países. O resultado é uma reunião de trabalhos dos Irmãos Campana, Nick Crosbie, Fernando Jaegger, Philippe Starck, Ron Arad e André Cruz, entre outros.

A atração principal são convidados como a francesa Matali Crasset, que antes de se aventurar numa carreira solo trabalhou com Philippe Starck durante cinco anos, quando criou o rádio Ici-pari, em alumínio e borracha sintética. Atualmente desenvolve projetos para indústrias de peso como a Artemide e Edra.

O artista plástico e designer inglês Alan Parkinson, diretor da empresa Architects of Air, costuma produzir esculturas infláveis, de PVC flexível, verdadeiras instalações, que propõem experiências sensoriais. Para a "Plasticidades", Parkinson trará uma estrutura de 80 metros quadrados de uma série intitulada Luminária, por onde o público poderá caminhar.

A exposição contará também com uma loja inflável, a Ego PVC, um café e um home theater. Tudo como mobiliário produzido em plástico, na exposição que tem montagem dos arquitetos Franklin Iriarte e Andréa Menezes.

A herdeira de Starck é fã de Ernesto Neto e Peter Pan: Matali Crasset: design sem pensar a forma

Um pufe que vira tapete; um frasco de perfume que lembra um copo emborcado com uma lâmpada amarela no fundo; uma instalação que é uma tenda de plástico revestida de vasos de planta; uma caixinha de jóias que na verdade são dois esfregões. Divertidos e tão inesperados quanto comuns.

Tudo isso leva a grife Matali Crasset, que encarna a estranheza, como cabe a uma enfant terrible do novo design europeu, que curiosamente nega fazer design pensando na forma. O que conta é a relação entre os elementos: forma é decorrência.

Com um look mezzo Juruna, Philippe Starck, com quem trabalhou por cinco anos, e de Denis Santachiara, a designer está mostrando suas credenciais em vôo solo desde 1998, sublinhando as características que fizeram de seus mestres referências: iconoclastia, um humor quase infantil (é fã de Peter Pan) e linhas orgânicas e limpas (seus artistas plásticos preferidos são o carioca Ernesto Neto e Carsten Hoeller).

Nascida em Châlons-en-Champagne, numa família de camponeses, há 37 anos, e criada num vilarejo de 80 habitantes, a designer já ganhou retrospectiva de sua obra, em Lausanne em 2002 e tem peças expostas no MoMa.

Até o fim do ano, ela inaugura o que considera seu trabalho mais importante, o Hi-Hotel, em Nice. Uma mistura de obra de arte e objeto de arquitetura e design, em que a grande particularidade é a mutabilidade.

Contraditória, Matali diz que seu sonho "é ser a mesma pessoa de hoje".

Fonte: Jornal O Globo, 1/11/03,
Por Suzete Aché.


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