Sem bisturi, o material barato ganha
perfil nobre em expo
Outras notícias 2003
Outros anos
Sem bisturi, o
material barato ganha perfil nobre em expo
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Tetas de vaca na tampa do leite: criação
do Studio Inflate, de londres, em PVC rígido. |
E
pensar que a intenção inicial do inglês Alexander Parkes, em 1862, era
encontrar uma imitação barata para o marfim. Hoje o plástico pode até
não estar salvando os pobres elefantinhos, cujos restos mortais ainda
viram badulaques caros por aí. Tornou-se um material onipresente e
barato, mas que ganha ares de nobreza graças ao design contemporâneo.
Tampas
de leite em forma de tetas de vaca, esculturas infláveis de PVC por onde
se pode caminhar, tapetes feitos de plástico transparente com
especiarias. São apenas algumas das cerca de cem peças de 50 designers
que estarão expostas na mostra "Plasticidades: Plástico + Design", que
abre para o público na próxima sexta-feira, dia 7, no salão de
exposições do CasaShopping. |
A exposição vai ter também uma loja
inflável
Segundo a curadora, Andréa Magalhães, a pesquisa foi feita em escritórios de
vários países. O resultado é uma reunião de trabalhos dos Irmãos Campana,
Nick Crosbie, Fernando Jaegger, Philippe Starck, Ron Arad e André Cruz,
entre outros.
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A
atração principal são convidados como a francesa Matali Crasset, que
antes de se aventurar numa carreira solo trabalhou com Philippe Starck
durante cinco anos, quando criou o rádio Ici-pari, em alumínio e
borracha sintética. Atualmente desenvolve projetos para indústrias de
peso como a Artemide e Edra.
O
artista plástico e designer inglês Alan Parkinson, diretor da empresa
Architects of Air, costuma produzir esculturas infláveis, de PVC
flexível, verdadeiras instalações, que propõem experiências sensoriais.
Para a "Plasticidades", Parkinson trará uma estrutura de 80 metros
quadrados de uma série intitulada Luminária, por onde o público poderá
caminhar.
A
exposição contará também com uma loja inflável, a Ego PVC, um café e um
home theater. Tudo como mobiliário produzido em plástico, na
exposição que tem montagem dos arquitetos Franklin Iriarte e Andréa
Menezes. |

A francesa Matali Crasset criou uma
instalação
com estrutura em lycra e acessórios em PVC
chamada Casaderme, inspirada na epiderme. |
A herdeira de Starck é fã de Ernesto
Neto e Peter Pan: Matali
Crasset: design sem pensar a forma
Um
pufe que vira tapete; um frasco de perfume que lembra um copo emborcado com
uma lâmpada amarela no fundo; uma instalação que é uma tenda de plástico
revestida de vasos de planta; uma caixinha de jóias que na verdade são dois
esfregões. Divertidos e tão inesperados quanto comuns.
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Pufe inflável em PVC flexível,
do Studio WHY?, de Paris |

Coluna Vertebral. É a luminária Strip
Light, do Studio Inflate. O corpo
é de PVC transparente inflável com detalhes que lembram vértebras |
Tudo
isso leva a grife Matali Crasset, que encarna a estranheza, como cabe a uma
enfant terrible do novo design europeu, que curiosamente nega fazer
design pensando na forma. O que conta é a relação entre os elementos: forma
é decorrência.
Com
um look mezzo Juruna, Philippe Starck, com quem trabalhou por
cinco anos, e de Denis Santachiara, a designer está mostrando suas
credenciais em vôo solo desde 1998, sublinhando as características que
fizeram de seus mestres referências: iconoclastia, um humor quase infantil
(é fã de Peter Pan) e linhas orgânicas e limpas (seus artistas plásticos
preferidos são o carioca Ernesto Neto e Carsten Hoeller).
Nascida em Châlons-en-Champagne, numa família de camponeses, há 37 anos, e
criada num vilarejo de 80 habitantes, a designer já ganhou retrospectiva de
sua obra, em Lausanne em 2002 e tem peças expostas no MoMa.
Até o
fim do ano, ela inaugura o que considera seu trabalho mais importante, o
Hi-Hotel, em Nice. Uma mistura de obra de arte e objeto de arquitetura e
design, em que a grande particularidade é a mutabilidade.
Contraditória, Matali diz que seu sonho "é ser a mesma pessoa de hoje".
Fonte: Jornal O Globo, 1/11/03,
Por Suzete Aché.

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