
Em meia aos exercícios de futurologia sobre a economia em 2002, que grassam feito praga no noticiário da primeira trimestre, uma raposa prateada da petroquímica rechaça duvidas e incógnitas apostando em dias melhores porque se trata de ano eleitoral. O país pode arfar, ele reconhece, sob dívida publica crescente e com uma penca de gastos supérfluos; pode gramar com uma das taxas de juros mais altas do planeta e, para não alongar os flancos vulneráveis, pode carregar uma carga tributaria mastodôntica, que gera recordes de arrecadação e, em contrapartida, proporciona retorno zero e inibe as melhores intenções de investir, empregar e produzir na formalidade. Não importa a positiva pressão de freios à gastança pública como a Lei de Responsabilidade Fiscal, vaticina o escolado analista. Em ano eleitoral, insiste, governo algum se furta de jogar o jogo dando jeito de abrir o ervanário para borrifar alguma adrenalina na economia e no empresariado. Como diz o economista Milton Friedman, não existe almoço de graça e a experiência histórica confirma que esse festivo maná de benesses oficiais acaba sendo arcado pelo eleitorado após a votação, admite o nosso observador. Mas, afinal, retruca, o importante é que, indo direto ao ponto, tal anabolizante na ponta do consumo deixa tinindo as vendas internas de resinas, por sinal egressas de maus pedaços no ultimo balanço. Pelas lentes róseas do expert, a sua cantada melhoria momentânea nos financiamentos e na renda do brasileiro, vai turbinar de forma generalizada o movimento de plástico, seja entre produtos de primeira necessidade, bens duráveis e, em particular, na construção civil, pelo eterno charme de seu potencial eleitoral. Devido à instabilidade econômica, crédito escasso e poder aquisitivo tolhido, a construção civil brasileira cresceu de leve em 1998 (1,8%) e 2000 (2,1%) e deu marcha-à-ré em 1999 (-3,6%) e 2001 (-2,5%), descrevem os gráficos do IBGE. Um ano eleitoral como 2002, interpreta veemente o nosso observador, é mão na roda para o reduto carro-chefe dos tubos tirar PVC da letargia, sob efeito dos programas de obras de infra-estrutura e lançamentos imobiliários populares que sempre pipocam nessas ocasiões. Ele concorda que, em vez de esperar por tais espasmos da demanda cardos do céu, seria muito mais racional e produtivo para a cadeia do plástico pressionar para valer pela aprovação de propostas oficiais até hoje em banho-maria, capazes de bafejar o consumo regular de resinas e encorpar o mirrado padrão de vida do grosso da população, caso típico da privatização dos serviços de saneamento básico. Mas isso não da voto, rebate em cima o arguto dirigente, nem e assunto, como a reforma tributaria, de se tratar em ano eleitoral... Fonte: Plásticos em Revista Editorial, pág. 3 (Março/02). |