
O Instituto do PVC quer ampliar sua aproximação de indústrias finais benchmark
PR - Como O Instituto se coloca em relação a indústrias finais, caso no Brasil de montadoras como GM e DaimlerChrysler; Johnson's em artigos de higiene & beleza e Bombril, na área de produtos de limpeza, que manifestaram às claras a Plásticos em Revista, no passado recente, o intento de substituir ou vetar o uso de PVC? Assis - De início, surpreende a sua afirmação de que as empresas mencionadas teriam declarado taxativamente que se empenham em substituir ou vetar o uso do PVC. A surpresa é causada não só pelos inputs que continuamente recebemos das indústrias com quem nos relacionamos, mas de fornecedores que atestam o crescimento e importância do PVC - e isso extrapola os setores em que as empresas citadas atuam. São lançamentos de produtos e inovações tecnológicas que demonstram o crescente uso do material e não seu banimento. O que existe, de fato, são algumas empresas que declaram sua intenção de diminuir o uso do PVC em suas linhas de montagem. Na verdade, porém, elas descobrem as dificuldades técnicas e econômicas ao substituir um produto tão versátil e consolidado e, assim, acabam retornando ao PVC. Uma delas, por exemplo, chegou a lançar um produto, usado por atletas de futebol patrocinados por ela na Copa do Mundo Japão-Coréia, com destaque expressivo para o PVC no produto lançado, mesmo tendo declarado antes que não mais o usaria. Na grande maioria dos casos, as empresas reforçam o uso do vinil após ouvir as argumentações científicas levadas pelo Instituto do PVC. Desde sua fundação, ele tem esta postura de levar a ciência para dentro do debate, que era meramente político e emocional. No caso dos automóveis, o Instituto adotou postura pró-ativa e faz parte do Automotive Task Force, um grupo mundial que tem a missão de continuamente visitar as montadoras, suas matrizes e filiais no planeta, para verificar a tendência de uso do PVC no setor. Na medida em que esse grupo conseguiu se reunir com as empresas, as barreiras ao PVC foram caindo gradativamente e, de maneira geral, as montadoras hoje classificam o material como um polímero como outro qualquer, ou seja, com suas vantagens e limitações. O mesmo posicionamento é extensivo às embalagens, ou seja, debater cientificamente os temas, inclusive levando novidades em produtos. PR - O Instituto tem sido bem sucedido em divulgar positivamente PVC junto aos círculos de decisão - governo, órgãos públicos e entidades educacionais e de P&D. Qual a ação cogitada para apresentar e firmar os atributos tecno-econômicos do PVC para indústrias finais benchmark que o criticam publicamente na mídia? Assis - As empresa benchmark são, na realidade, formadoras de opinião. Por isso é essencial estarmos próximos delas, como temos feito e continuaremos a fazer nos próximos anos. O objetivo é levar os aspectos técnicos-científicos do PVC para dentro delas. Em regra, elas possuem departamentos com esse grau de especialização, mas nem sempre eles participam das decisões mais políticas das corporações, como as restrições a produtos, mesmo quando esse veto não é indicado dos pontos de vista técnico ou mesmo, econômico. Como são setores sensíveis à ciência, é fundamental o contato estabelecido diretamente com eles pelo Instituto do PVC. Vital para o trabalho pró-ativo do instituto, essa aproximação também passa necessariamente pela nossa presença nos fóruns de debate dos quais essas empresas benchmark participam, caso de eventos da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), comissões e associações de classe etc. Outra área fundamental para nossa atuação são as universidades. Precisamos passar continuamente informações corretas sobre o PVC pois é de lá que surgirão os profissionais e tecnologias que nortearão os passos das empresas. A divulgação institucional do PVC é a nossa arma para, de forma pró-ativa, responder a questionamentos nessa linha. Mas também usamos dos meios possíveis para reagir a este tipo de publicidade. Por exemplo, por algumas vezes recorremos ao Conselho Nacional de AutoRegulamentação Publicitária (Conar) contra campanhas que, em verdade, enganam o consumidor, seja varejo ou atacado, pois acusam PVC de forma leviana. Invariavelmente ganhamos os processos no Conar, pois as empresas não têm argumentos técnicos-científicos que embasem a acusação e são obrigadas a modificar suas peças publicitárias. PR - Qual é, na prática, a estratégia de abordagem definida por setor em defesa do PVC? Assis - Para cada setor há uma abordagem mais indicada, relacionada com aspectos específicos e relacionados a público de interesse, perfil cultural etc. Mas o importante é que temos a consciência da necessidade de levarmos a ciência e a ética para o debate com o setor. Tratamos de mostrar as qualidades do PVC e as vantagens que as empresas têm ao utilizar um material de ótima relação custo-benefício. O grande objetivo é promover o crescimento sustentável do mercado, difundindo as qualidades técnicas e ambientais desse produto, sua versatilidade e reciclabilidade e orientar as empresas do setor a adotar posturas socialmente responsáveis. Também aproveitamos para desmistificar os ataques infundados feitos ao PVC, seja por parte de ONG’s, formadores de opinião, empresas de materiais concorrentes ou o que quer que seja. Outro aspecto importante, dada a versatilidade do material, é que não podemos nos ater a este ou aquele setor. O Instituto deve divulgar os atributos de PVC, sempre de forma pró-ativa, em qualquer reduto em que o termoplástico seja empregado, para reduzir as dúvidas quanto ao seu uso. PR - Diante de críticas públicas a PVC, sem resposta veemente de seus defensores na mídia, várias indústrias e setores têm, ao lado de análises de custo/desempenho, buscado outros materiais. O segmento de embalagens é prova disso, tanto que, em novembro, na feira K'2004, máquina alguma foi exposta produzindo embalagens do vinil. Como o Instituto avalia isso? Assis - A Feira K realiza-se na Alemanha, país fortemente impactado por teses ambientalistas muitas vezes equivocadas, como sua própria história tem demonstrado. Temos atuado fortemente quando o PVC é atacado injustificadamente. Não podemos esquecer que ele é um termoplástico muito versátil. Mas é fato que as empresas têm como meta a constante procura por materiais - PVC entre eles -, processos e demais recursos que se adequem melhor ao seus produtos. Se PVC é substituído em alguns setores, o inverso também acontece. Por sinal, o vinil desloca outros materiais a ponto de ser o principal produto em diversos segmentos, como na área médica, construção etc. Em diversos setores, aliás, PVC conta com um histórico de qualidade e continua a ser utilizado largamente, caso de fios e cabos, cartões de crédito, brinquedos, indústria automobilística etc. No campo específico das embalagens, PVC vem se especializando e sobressaindo em alguns segmentos. Sem dúvida, um ou outro setor deixou de utilizar a resina, mas se o fez foi devido a questões técnicas e não ambientais. A prova maior é que, em lugar algum do mundo, existe proibição às embalagens de PVC, seja para área médica, alimentos ou outros produtos. O setor de garrafas de grande volume, como todos sabem, utiliza outra resina, mas por questões exclusivamente técnicas e nada há relacionado à imagem do vinil. Já as embalagens que, por força da necessidade, têm que mudar rapidamente de design continuam a utilizar PVC, a exemplo de cosméticos, produtos de limpeza etc. São setores em que PVC mostra-se um produto competitivo exatamente por possibilitar, sem grandes custos, a constante troca de moldes na fabricação de frascos. Num segmento em que a moda dita o comportamento do consumidor, os frascos de PVC estão sempre atualizados. Brilho, transparência, cores, leveza, resistência e inocuidade são algumas características apreciadas pelos envasadores e PVC as oferece com grande maestria. No segmento de embalagens de alimentos, ele continua a ser largamente utilizado, sem ser perturbado por concorrentes que compareçam com vantagens do mesmo peso. Nesse sentido, um indicador de excelência é dado pelos filmes vinílicos para embalar alimentos, além de produtos fora dessa área. Blisters para embalagens de remédios e artefatos como brinquedos também têm se mostrado importantes aplicações para PVC. Fonte: Plásticos em revista, novembro de 2004 – nº 499 – Ano 42. |
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