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Brasil descobre o pvc em janelas

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Outros anos


Brasil descobre o pvc em janelas

Consumo do produto, popular na Europa, EUA e Argentina,
aumenta no segmento da classe alta brasileira

O PVC está ocupando mais espaço no Brasil e não é nas partes menos aparentes das casa e edifícios, onde estão enterrados os tubos e conexões. A novidade é que cresce o uso do PVC nas esquadrias de janelas, área tradicionalmente ocupada pelo alumínio e a madeira.

O PVC – plástico à base de sal de cozinha e eteno, derivado de petróleo – amplia o seu consumo pela indústria da construção civil, que o usa para fazer forros e divisórias, tubos, conexões, perfis, cabos, cercas (de residências e fazendas), portas sanfonadas, decks e coberturas de piscinas.

Um nicho do mercado brasileiro – os consumidores mais abastados – está se rendendo as características do PVC na confecção de esquadrias: durabilidade, resistência à corrosão e pressão de ventos, vedação, isolamento térmico e acústico, possibilidade de utilização de vidros duplos, estática e variedade de modelos.

Apesar de já existirem no mercado há pelo menos vinte anos, as esquadrias de PVC estão sendo relançadas agora com sucesso, diz Francisco de Assis Esmeraldo, presidente do instituto do PVC, uma das cinco entidades mundiais que congregam os fabricantes do produto.

"Os perfis de PVC participam com algo ao redor de 1% do mercado brasileiro total de esquadrias. No entanto, apresentam um rápido crescimento de volume", diz Gilmar Koerber, gerente – geral da Tigre Perfis e Esquadrias, com fábrica em Indaiatuba, interior de São Paulo. O "crescimento será vertiginoso", aposta José Carlos Rosa, diretor comercial da Medabil Tesenderlo S.A, com unidades de fabricação em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Recife (Pernambuco) e Extrema (Minas Gerais).

O Brasil começa seguir exemplo de países industrializados: na Europa e nos Estados Unidos, as esquadria de PVC já participam com mais de 40% do mercado, sendo que, em alguns países, como a Inglaterra, essa fatia chega a 70%.

Na Argentina, o uso de esquadrias de PVC é superior ao do Brasil. "Na Europa 38% das esquadrias são de PVC, 33% de madeira e 29% de alumínio", informa Moacir Tassinari, consultor para o desenvolvimento e a comercialização de esquadrias de PVC.

A prova de que o consumo está crescendo no Brasil é que um quinto fabricante, a Profilast, de Joinvile, estado de Santa Catarina, está entrando no mercado de esquadrias de PVC, diz Tasinari.

As empresas adotaram como política adaptar cada vez mais o produto às condições brasileiras para superar erros cometidos quando da implantação do material, no Brasil, nos anos 70, revela a revista "Projeto Design". Os fabricantes começaram imitando o alumínio e confeccionaram modelos muito finos, que entortavam e deformavam. "Nos países frios, onde são mais usados. Os caixilhos de PVC têm massa considerável, apresentando, em alguns casos, alma de aço. No Brasil já existe ampla gama de produtos. O problema é que o preço aumenta quanto mais robusta for a peça. De qualquer forma, esse é um dos seguimentos que mais se desenvolvem, técnica e gerencialmente", menciona a revista. A segurança também conta pontos: "por tratar-se de material auto-extinguível, o PVC para esquadrias cumpre todas as exigências de normas internacionais relativas a incêndio", afirma Thomas Haller, diretor da Multiplast, em São Paulo, que fabrica esquadrias de PVC há 15 anos, com tecnologia alemã. "Câmaras internas suficientes para armazenar e devolver ao ambiente externo grandes volumes de água facilitam o projeto de drenagem. Como as cores são obtidas por meio de pigmentação da própria matéria-prima – nos tons branco, bege e cinza –, não requerem pintura após sua fabricação", observa Haller.

As esquadrias de PVC não são populares no Brasil "porque os preços não são convidativos em razão da baixa economia de escala. O produto atinge a classe alta, e é mais vendido em São Paulo, na região da serra gaúcha (Gramado e Canela, no Rio Grande Do Sul), em Santa Catarina e Brasília", nota Tassinari. As esquadrias de PVC ainda precisam ser mais trabalhadas, do ponto de vista do marketing, nas classes B e C, sugere.

O custo total de uma janela de PVC (R$ 230 por metro quadrado), ligeiramente inferior a uma janela de madeira (R$ 235/m2), mas pouco superior a uma janela de alumínio (R$ 190/m2), de acordo com levantamento dos fabricantes Multiplast/Petroll/Tigre. No litoral brasileiro, os perfis de PVC começaram a ser mais usados, como no resort baiano Costa do Sauípe. O material é imune a maresia e não sofre corrosão.

Fabricantes elegeram tecnologias européias

As tecnologias de perfis de PVC empregadas no Brasil são européias. No caso da Tigre, a origem é austríaca. "No entanto o projeto de perfis é especialmente concebido para o mercado brasileiro, adequando-se às solução de que materiais alternativos são usados", diz Gilmar Koerber, gerente geral da companhia.

Toda a produção (5 mil peças por mês) é destinada ao mercado brasileiro, mas a viabilização das exportações está sendo estudada". O mercado latino americano de esquadrias "é atraente e estamos avaliando o potencial, características de produtos e receptividade a novas tecnologias. No caso da Argentina, o consumidor local já exige tecnologia e produtos superiores, aproximando-se ao padrão europeu", observa Koerber.

A Medabil produz 18 mil toneladas anuais de portas sanfonadas, forros lineares, divisórias e persianas de PVC. A tecnologia empregada é belga e a empresa trabalha com duas linhas de esquadrias: de padrão europeu e "tropicalizada". Os perfis da Multiplast são de tecnologia alemã. "As esquadrias PVC Eurowindow foram adaptadas à realidade brasileira", diz Thomas Haller, diretor da companhia. (M.H.T.)

Fonte: Gazeta Mercantil Latino-Americana - Coluna: Negócios (5 a 11 de março de 2001)
Por Maria Helena Tachinardi


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