
Sons
que se constroem: músicos e professores avaliam o trabalho de Marco Antônio Guimarães, o mago do Uakti, também começou a criar os instrumentos hoje consagrados no grupo Uakti pelas cordas. Ex-estudante de violoncelo, por influência do mestre Walter Smetak, como qual estudou em Salvador, na Bahia, o músico passou vários anos criando instrumentos sem ter uma a formação para executá-los. O Chori, por exemplo, que fez em homenagem a Smetak, nasceu de uma cabaça que uma amiga levou à casa de sua mãe, despertando a sua curiosidade e inspiração. "Fiz na medida do violoncelo", recorda, lembrando que o instrumento é utilizado até hoje pelo Uakti. Na opinião de Flávio Terrigno Barbeitas, não dá para ter pretensão de que instrumentos como os criados pelo músico Samuel Braga se firmem. "A tradição normalmente é perpetrada pela educação musical", observa o professor da UFMG, ressaltando que no caso do Uakti, Marco Antônio Guimarães não apenas cria, mas também executa os instrumentos. O resultado, segundo o próprio mago do grupo, é que hoje muitos fazem o mesmo sob influência do Uakti. "Os instrumentos de PVC, por exemplo, atualmente são feitos até nos Estados Unidos", revela Marco Antônio Guimarães. Apesar da tradição criada no setor, no entanto, Marco Antônio ressalta que é raro um grupo do gênero permanecer estável no mercado por mais de 20 anos como ocorre com o Uakti. Longe de querer transformar suas criações em produtos em série, depois de superar os problemas de saúde com os quais conviveu por mais de duas décadas, Samuel Braga acredita que tenha chegado a hora de mostrar ao público as suas criações. "Estou me oferecendo a empresários interessados em patrocinar a minha criação musical", afirma o artista, cujo repertório próprio já soma cerca de 280 composições para os instrumentos que criou. O Dvorá, no qual interpreta composições próprias e clássicos populares, é o preferido de Samuel, que adaptou o seu antigo repertório às escalas do instrumento. "Samuel Braga demonstra um talento raro na criação e construção de instrumentos. A força de vontade que o levou a superar diversos problemas físicos o dignificam como músico e ser humano, a ponto de a sua história de vida e as suas atuações instrumentais merecerem ser reconhecidas por todos nós", disse o professor Flávio Terrigno Barbeitas, depois de assistir a uma apresentação do músico na UFMG. Disposto a mostrar a sua produção artística, ainda que as limitações físicas persistam, Samuel acredita que tenha condições de fazer concertos de uma e meia a duas horas de duração, com intervalos, através dos quais vai mostrar não apenas os instrumentos que criou, mas as suas músicas. "Sem a música eu não estaria vivo", orgulha-se o músico que, além da medicina, chegou a ser desacreditado pela própria família. Fonte: Estado de Minas Coluna Cultura (10/7/2002) |