
Cerca de 800 mil toneladas de plástico são consumidas na fabricação de produtos usados na área médica As propriedades físicas e mecânicas dos polímeros policloreto de vinila (PVC), silicone, policarbonatos, poliuretano e seus co-polímeros -, fazem com que o plástico seja amplamente aplicado em dispositivos médicos. "As utilizações de materiais poliméricos, na área médica, têm se destacado devido à grande variedade de propriedades físicas e mecânicas que esses materiais oferecem, satisfazendo as necessidades específicas dessa área. Podem apresentar a moldabilidade necessária para determinados dispositivos, flexibilidade, transparência para facilitar observações, rigidez, resistência à quebras, além de outras propriedades de interesse", diz a engenheira Helena Oyama, chefe do Laboratório de Polímeros da Divisão de Bioengenharia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Estimativas indicam que cerca de 800 mil toneladas de plástico são consumidas na fabricação de produtos usados na área médica, com uma participação aproximada de 45% em relação a outros materiais. As resinas estão presentes na fabricação dos mais sofisticados equipamentos utilizados nas cirurgias, bem como nos mais comuns, porém indispensáveis, acessórios, como luvas e coletores de material para exames, além de revestir pisos, paredes e tetos de clínicas e hospitais. Muito além das seringas descartáveis, seu uso mais conhecido, os polímeros são aplicados na produção de catéteres, cânulas, tubos endotraqueais, conectores, nos frascos de soro fisiológico, oxigenadores, próteses ortopédicas e dentárias, dutos vasculares, entre outras aplicações. Na transfusão de sangue, por exemplo, procedimento padrão na medicina de emergência, são utilizados tubos e bolsas de policloreto de vinila (PVC). As cânulas podem ser de silicone, PVC ou poliuretano; os conectores, de policarbonato, que também é usado nos oxigenadores. As fibras de poliéster (Dracon) são aplicadas em enxertos vasculares e revestimento dos anéis das válvulas. Na Bioengenharia do Incor-USP, diversos tipos de polímeros são aplicados no desenvolvimento de dispositivos descartáveis, catéteres, oxigenadores e até na fabricação de ventrículos artificiais, que substituem as funções do ventrículo do coração. Batizado com o nome de Dispositivo de Assistência Ventricular - DAV-Incor, o "coração de plástico" funciona externamente, preso à região do abdômen do paciente, e garante a sobrevivência dos que serão submetidos a transplantes, enquanto eles aguardam órgãos de doadores compatíveis. O desenvolvimento do "coração de plástico" representa, além do avanço da cardiologia brasileira, economia de divisas. "Os ventrículos artificiais importados têm um custo muito elevado, por exemplo. A Divisão de Bioengenharia trabalha no sentido de nacionalizar cada vez mais os equipamentos e dispositivos", afirma Helena Oyama. O maior problema é que as pesquisas demandam investimentos, freqüentemente incompatíveis com o orçamento do Incor, por isso, as parcerias e os patrocínios são bem-vindos, diz a engenheira. Fonte:
Revista Valor Setorial - Indústria do Plástico,
Ensino, pág 41, out/04, |