
Ponta-de-lança nacional no sopro de embalagens, a Sinimplast (SP) não contava que uma estreia sua resultasse tão intrigante. O pivô da história é produção iniciada em abril de frascos de polietileno tereftalato modificado com glicol (PETG), importado da norte-americana Eastman, dirigidos a ceras de polimento de veículos, antes envasadas em recipientes de policloreto de vinila (PVC), para a Ceras Johnson (RJ). "O pedido marca nossa entrada no segmento automotivo e no sopro desse poliéster", aponta Ricardo David, gerente de engenharia da Sinimplast Movidos por questões técnicas e/ou bom mocismo ecológico, o fato e que, concorda David, certos nichos de frascos buscam alternativas ao PVC em quesitos como transparência e resistência química. Na hipótese de altas tiragens e trabalho com frascos sem alça, prevalece a indicação do PET para injeção/sopro e que, embora desfrute de produção nacional, requer maquinário mais complexo e caro que a sopradora por extrusão de PVC. Já PETG pinta como bola da vez nobre entre os poliésteres para corridas menores de recipientes inclusive com alça, efetuadas na linha antes voltada para PVC "PETG admite processo a 180ºC, dispensa extrusora ou resistências especiais na sopradora e exige apenas a incorporação de secador, devido a elevada higroscopia", sustenta David. PETG reina em mercados condizentes com o valor que agrega às embalagens, caso mundial dos cosméticos Manda quem pode e obedece quem tem juízo. A pedido do cliente, a Sinimplast adotou PETG nos frascos de baixa escala, a maioria em cores opacas para duas ceras automotivas. Para tanto, encaixa David, foi ajustada uma sopradora Bekum HBD111 que opera com o poliéster nos mesmos moldes antes preenchidos com PVC e cedidos pela Ceras Johnson. Conforme julga, os frascos de PETG mostram a mesmo desempenho e design dos de vinil (PVC). A única diferença, frisa, é o custo de produção cerca de 60% acima do contratipo de PVC: "Outro ponto a considerar é o peso do cambio sabre a material importado" Cera automotiva não é artigo commodity e seu usuário, o publico apaixonado por carros, aceita a valor agregado embutido no preço, sustenta José Carlos Pinto, responsável pelo desenvolvimento das embalagens da subsidiaria brasileira da Ceras Johnson. A seu ver, portanto, o ônus proveniente da troca de resinas na embalagem não abala as margens do produto final. Pinto abre que o veto a PVC para qualquer embalagem e decisão mundial do seu grupo (sede nos EUA) e tem cunho ecológico. "O temor da corporação é com a liberação de ácido clorídrico no ambiente de produção, a ponto de afetar a saúde do operador em etapas como a abertura do molde na sopradora", coloca. PETG entrou como regra 3 devido a resistência aos solventes da formulação da cera, condição não atendida pelas poliolefinas, diz. Miguel Bahiense, assessor técnico do Instituto do PVC, não digere a alegação. Apenas em caso de falha no processamento de PVC, comenta, admite-se a hipótese de liberação e degradação térmica de insumos como ácido clorídrico. Isso levaria à perda do lote dos frascos, em razão da transparência e propriedades mecânicas minadas, nota. "E uma questão desvinculada da resina, restrita ao desempenho da sopradora", distingue. "Além do mais o processo transcorre em circuito fechado e, caso a máquina acuse problema, os ínfimos teores do ácido liberados na retirada dos frascos são inócuos para a saúde do operador". A Sinimplast planeja transferir a operação de PETG da sede em Diadema para a filial que parte em junho no Rio. David justifica isso com a proximidade da planta da Ceras Johnson e de possíveis clientes dos próximos projetos engatilhados para o poliéster, todos, compreensivelmente, do setor de cosméticos. Fonte: Plásticos em Revista Coluna Tendências, pág. 58 (Maio/02). |