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Saia justa

Mal entendido envolvendo filmes de PVC termina com dúvidas no ar

Na seção "Ponto de Vista  deste número, Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida e do Instituto do PVC, narra a odisséia que foi desfazer um intrigante imbróglio que, apesar de chegar a aparente bom termo, chamuscou a imagem pública da cadeia do vinil (clique aqui para ler o artigo na íntegra). Em resumo, pesquisadores de um instituto subordinado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão do Ministério da Saúde, sumarizaram no site da entidade carioca os resultados de estudo sobre a adequação de filmes de PVC para proteção de alimentos, provenientes de amostragem de campo, às normas técnicas. Os autores apontaram a presença nos filmes de dois plastificantes expressamente citados como potencialmente cancerígenos. O que arranhou, por tabela, o conceito do PVC como material de toxicidade inócua e sem contra-indicações, provam usos que vão de bolsas de sangue a tubos de água potável.

Assis foi à luta e, como descreve no artigo, percorreu todos os meandros da Fiocruz e a redação do diário carioca "O Dia", que expeliu manchetes sobre o tema como a que bramia que embalagem alimentícia de PVC dava câncer, ignorando o também incorreto advérbio "potencialmente" do texto no site. Assis soltou uma batata quente nas mãos da Fiocruz: o estudo de um órgão da organização Mundial da Saúde (OMS), em circulação global há quatro anos, atestando de vez que os dois plastificantes em foco nada têm de cancerígenos (clique aqui para conhecer). Escorado nesse aval, Assis cobrou insistente o desmentido da fundação que, cerca de duas semanas depois, liberou retificação, num site da área de saúde pública (clique aqui para ler o desmentido no site da ANVISA e aqui para fazer o download da nota técnica da ANVISA/INCQS), do besteirol que deu origem a descabidos alarmismo e reservas quanto ao PVC manifestados pela opinião pública fluminense, cortesia da cobertura afoita de "O Dia". 

Assentada a poeira, a realidade mostra que a forma encontrada pela Fiocruz de admitir seu erro é matreiramente nula. Não dá para comparar o poder de divulgação de informações por um site pouco conhecido com o alcance da grande imprensa, não utilizada pela fundação para restabelecer a verdade. É uma discreção que faz sentido, do ângulo da credibilidade da instituição. PVC a colocou numa saia justa. De duas uma, se seus pesquisadores ignoravam o parecer da OMS sobre os plastificantes, isso demonstra um despreparo que macula a imagem da Fiocruz como centro de excelência científica. Se, mesmo cientes do estudo da OMS, eles insistiram na informação incorreta, isso demonstra que outros critérios abalaram a isenção de uma análise que deveria ser estritamente técnica. O que colocaria em dúvida qualquer pesquisa da entidade daqui por diante.

Tem mais: pouco depois de uma semana desse tíbio desmentido da Fiocruz, seus pesquisadores foram em 23 de junho a Brasília, para apresentar o mesmo trabalho a parlamentares. A diretoria do Instituto do PVC estava presente e confirma que, em momento algum, se fez qualquer associação entre os plastificantes e câncer. Ainda assim, a mesma editoria de "O Dia" a quem Assis explicara e repassara o parecer da OMS, soltou registro do evento no site do jornal, reafirmando que os dois plastificantes eram potencialmente cancerígenos. Errar uma vez é humano. Duas é burrice - ou intenção de agir de má fé.

Fonte: Plásticos em Revistas – Editorial, junho/2004 n• 492.


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