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Empresas estimulam projetos de reciclagem

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Empresas estimulam projetos de reciclagem

Fabricantes de preocupam com destino de garrafas de plásticos, latas e placas de PVC

Reciclável, o plástico tem na própria diversidade um obstáculo para seu reaproveitamento. Identificar os diferentes tipos e encaminhá-los adequadamente é tarefa difícil. No entanto, alguns itens de fácil manutenção e reconhecimento já começam a ganhar incentivo e a crescer nas estatísticas. É o caso das garrafas plásticas descartáveis de refrigerantes e água mineral, como PET, e dos componentes feitos em PVC.

O PET pode ser reciclado várias vezes mas torna-se nocivo ao meio ambiente se atirado ao lixo comum. Assim, grandes fabricantes e revendedores de produtos embalados em frascos desse componente tomam a iniciativa de conter a ida dos vasilhames de polietileno para os lixões. É o caso da rede Extra, do Grupo Pão de Açúcar, que vem ampliando o número de máquinas instaladas em suas lojas para recolhimento da garrafas. Elas se transformam em crédito para compras nas lojas da rede, onde cada unidade depositada vale um centavo.

"Temos um programa de coleta seletiva de lixo nas lojas Pão de Açúcar, mas no Extra, por serem hipermercados, esse controle é mais difícil, então começamos a estimular a devolução das garrafas PET, que podem causar danos ambientais", explica Sônia Manestan, coordenadora de projetos sociais e ambientais. A previsão é de que os modelos chamados Reverse Machine – hoje são três – cheguem logo a todos os 26 estabelecimentos do Extra na Grande São Paulo. No Rio de Janeiro há máquinas coletoras de garrafas e latas em oito filiais. Mais de 7,3 milhões de garrafas foram recolhidas apenas no primeiro semestre deste ano.

O "Reciclou Ganhou" integra as ações da Coca-Cola voltadas aos meio ambiente, que contaram com investimentos próximos aos R$ 8 milhões em 2001. São programas de tratamento ambiental presentes nas 42 fábricas da companhia. Até o ano passado, por meio desta ação foram recicladas 365 toneladas de embalagens PET, e a empresa distribuiu um manual para que todos os seus fabricantes soubessem como implantar o programa. "Começamos em 1994. Com o tempo, o próprio mercado criou mecanismos para destinar as latas adequadamente, o que ainda não ocorre como o PET", resume o diretor de meio ambiente, José Mauro de Moraes.

A partir da reciclagem de garrafas PET são extraídas fibras principalmente para a indústria têxtil. Mas elas também são destinadas aos fabricantes de vassouras, travesseiros e roupas. Hoje, em 13 Estados do Brasil, quase 4 mil escolas participaram do "Reciclou Ganhou", além de hospitais, entidades filantrópicas, estabelecimentos comerciais e comunidades.

A situação do PVC não é muito diferente, e grande parte ainda deixa de ser reciclada. Um passo adiante foi dado a partir de uma articulação do Instituto do PVC: a unidade de Ibiúna (SP) de Furnas Centrais Elétricas se conectou à Lumaplastic, do município de Embú (SP). A aproximação resultou no projeto de reciclagem de placas do material. "Uma vez separado dos outros plásticos, o PVC não apresenta problema para ser reprocessado" explica o engenheiro químico Miguel Bahiense Neto, assessor técnico do Instituto. O trabalho começou a partir do sistema de gestão ambiental da estação de Ibiúna, que detém o certificado ISO 14000. Placas de PVC usadas em torres de resfriamento entram em contato com a água sem tratamento, acumulando terra e barro, o que força uma troca periódica.

Cerca de 55% do material é PVC e o restante, terra. Os laboratórios de Furnas analisaram a terra, concluindo tratar-se de um bom adubo para programas de reflorestamento.

A Lumaplastic passou a separar o material, devolvendo a terra para a unidade de Ibiúna e reciclando o plástico, que já passa das 15 toneladas em menos de três anos. "Eles são transformados e voltam a ser reutilizados nas torres", diz Miguel.

Os recicladores de PVC têm crescido, em média, 20% ao ano, trabalhando com sucata pós-consumo e resíduo industrial. Na Europa os índices vão de 30 a 40%. "Um dos problemas é que o reciclador para impostos por algo que iria para o lixo", diz Bahiense.

Fonte: Valor Econômico - Meio ambiente (11/10/02)
por Mauro Cezar Pereira.


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