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Ele pega (bem) no pé

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Ele pega (bem) no pé
 

Foto: Alexandre Machado.

Referência nacional em calçados a Grendene passa longe das bordoadas desferidas pelo marketing verde contra PVC. Ao contrário, beneficiou-se de todo esse alarde para martelar a tecla da correção ambiental do vinil. “É uma matéria-prima plenamente reciclável”, crava Edson Matsuo, diretor de pesquisa e desenvolvimento. Ele ressalta que as linhas da Grendene operam próximas a níveis zero de resíduos, além de vigorar norma interna que determina apenas a concepção de modelos de calçados de reciclagem facilitada. “Aprimoramos continuamente a qualidade do composto de PVC que formulamos para injeção, tendo em vista também o  ciclo  de  vida  do  calçado”,  assinala.

Matsuo: uso de PVC cresce na
Grendene.

A afinidade com a proteção do meio ambiente é um dos valores que identificam o perfil da

clientela da Grendene (a demanda é ditada pelo público feminino ) e constitui reconhecido elemento inspirador da moda brasileira. E o alarido provocado na mídia pela radical corrente ambientalista internacional que, sem fundamento técnico, elegeu PVC entre seus alvos, nunca conseguiu afetar a presença maciça do vinil no catálogo dessa grife calçadista gaúcha, cujas previsões divulgadas apenas para vendas de sandálias de dedo andam em um milhão de pares ao ano. “O volume de PVC transformado pela empresa cresceu 9% em 2004 diante do ano interior e, para 2005, estimo um salto acima dos 10%”, confirma Matsuo sem soltar tonelagens. Seja como for, é um índice nada desprezível para uma produção média, apenas de calçados de PVC, arredondada em 120 milhões de pares em 2003. “O calçado plástico hoje tem uma identidade própria e não é mais associado a uma versão utilitária de baixo custo”, avalia o expert.

Matsuo fisga algumas tendências que logo mais chegarão nas prateleiras. “Em relação ao design, observo uma mistura entre as formas naturais e industriais”. Ele explica: “calçados femininos e pré-adolescentes estão sendo influenciados pela arquitetura, combinando um visual clássico, mais orgânico, com o geométrico”. No universo masculino – como não poderia ser diferente – carros esportivos inspiram os designers dos calçados. “Também observo a transparência como bola da vez, principalmente como o objetivo de destacar a tridimensionalidade do calçado, a partir do uso de cabedais translúcidos”, conta. Nas esferas das texturas, o expert da Grendene aponta para peças plásticas com aspecto de gel ou de molhado. “Passam a idéia de movimento, lembrando superfícies líquidas”, interpreta. As cores seguem o mesmo caminho. “Destaco os tons azuis migrando para os esverdeados, que proporcionam sensações de dinamismo”, arremata.

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Fonte: Plásticos em revista, novembro de 2004 – nº 499 – Ano 42.


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