
Coração artificial tem preço acessível A versatilidade e a resistência das resinas geraram grandes avanços na medicina desde 1940
Ao substituir outros materiais, especialmente os metálicos e os vidros, as resinas foram decisivas para a redução de infecções causadas por contaminação e para a sobrevida de muitos pacientes, a partir das aplicações do material principalmente em cirurgias cardíacas, sendo utilizados em partes dos instrumentos operatórios e até em próteses. "Existem próteses de coração, que também são compostas por plástico, já sendo implantadas. Entretanto, são muito caras, em torno de US$ 400 mil e ainda não chegaram ao Brasil", diz Camim. O plástico está presente nos pisos, paredes e tetos de clínicas e hospitais, nas seringas, nos cateteres, nas bolsas de sangue, nos frascos de soro fisiológico, nas cânulas, entre centenas de aplicações. Escala e baixo custo A Braile Biomédica, especializada na fabricação de produtos para a área médica - especialmente para o segmento de cirurgia cardíaca -, tem o plástico como responsável por 70% do total de insumos que utiliza para produzir seus equipamentos. Para Camim, as resinas propiciaram duas grandes vantagens para a medicina: escala e redução dos preços dos produtos, que permitiram o acesso de um maior número de doentes às modernas técnicas cirúrgicas cardiovasculares. "Com as resinas podem ser feitos moldes dos produtos. Assim, obtêm-se rapidez e custo mais baixo no processo de produção", afirma. Uma dos mais nobres produtos feitos pela empresa com resinas é a máquina de circulação extracorpórea - composta por bombas que substituem as funções do pulmão e do coração -, fundamental para as cirurgias cardíacas, já que é a responsável pela circulação sanguínea do paciente fora do corpo. Além dos tubos plásticos, a bomba do equipamento que substitui o pulmão é composta inteiramente de resina e descartável. A companhia também fábrica dois tipos de próteses implantáveis cardíacas: a válvula biológica de pericárdio bovino e a válvula biológica porcina. Ambas são sustentadas no coração por um equipamento feito totalmente em poliamida - um tipo de resina -, denominado stent, também fabricado pela companhia. Fundada em 1983, a Braile desenvolveu com tecnologia própria também o stent-graft. Feito com resina, ele é um enxerto para partes de aortas com dissecção. Segundo Camim, por ano são realizadas no Brasil cerca de 40 mil cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea e são feitos 12 mil implantes de válvulas biológicas. "O País está entre os três maiores mercados do mundo nessas áreas, atrás apenas de Estados Unidos e Alemanha", diz. O executivo afirmou que há cerca de sete fábricas no mundo produzindo válvulas e equipamentos de circulação extracorpórea; três delas estão no Brasil e atendem a aproximadamente 95% da demanda interna. PVC é o mais utilizado Não existem medidas exatas, mas os especialistas estimam que o setor médico mundial consome quase três milhões de toneladas de resinas por ano. De acordo com Bahiense, do Instituto do PVC, pesquisas européias mostram que 35% dos plásticos utilizados na área de medicina são PVC - resina resultante da mistura de eteno (derivado de petróleo) com cloro -, transformados em aproximadamente 250 milhões de produtos. "Ele é transparente e imita com bastante fidelidade as artérias e veias do corpo humano e também a sua textura se assemelha muito a da pele humana", cita ele, indicando as principais qualidades que impulsionam o uso do material. Atualmente, está em testes no Instituto do Coração (Incor) de São Paulo - realizados em parceria com o Instituto do PVC -, um tubo de PVC revestido com eparina, uma substância que evita que o sangue coagule no processo cirúrgico. A eparina é geralmente aplicada em pacientes que passam por cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea e, após a operação, é retirada do organismo. "O tubo, por onde o sangue circula na máquina, quando eparinizado, permite uma aplicação menor dessa substância no paciente, tornando o procedimento pós-operatório menos traumático", afirma Miguel Bahiense Neto. No Brasil, não há pesquisas específicas sobre o quanto o setor médico utiliza de PVC, mas Bahiense estima que o percentual do insumo sobre o total de resinas consumidas pela área esteja em linha com o da Europa. Da produção nacional de PVC - cerca de 630 mil toneladas por ano fabricadas apenas por duas companhias, a Braskem e a Solvay Indupa do Brasil -, a área médica deve consumir em torno de 1%, segundo o diretor do Instituto. De acordo com Massayochi Mario Hociko, gerente do departamento técnico da Karina, empresa com duas fábricas de compostos de PVC em Guarulhos SP, as resinas destinadas para a área médica passam por um processo de composição e têm de ser atóxicas e isentas de materiais pesados, além de contarem com certificados que atestem suas qualidades e aplicação viável para esta finalidade. Fonte:
Gazeta Mercantil - Relatório Gazeta Mercantil - O Plástico na vida das
pessoas, 22/6/04, |
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