
Rede de esgoto a vácuo utiliza menos da metade da água necessária nas descargas de uma rede convencional A crescente escassez de água no planeta e o conseqüente aumento do seu custo exigem novas soluções para a construção civil. Os esgotos convencionais, que utilizam muita água, começam a ser substituídos. No Brasil, há cerca de quatro anos, grandes edifícios, como shopping centers, e condomínios residenciais, começaram a ser projetados com sistemas de esgotos a vácuo, que exigem uma quantidade mínima de água e utilizam estruturas mais leves e resistentes, em PVC, que podem ser colocadas a uma profundidade de apenas 1,2 metro. Embora no Brasil ainda exista uma grande quantidade de água potável, estudos mostram que em poucos anos ela não será suficiente para suprir a demanda. O esgoto a vácuo permite a utilização de pouca água, além necessitar de menos energia e mão-de-obra. Ainda assim, seu custo inicial ainda é relativamente alto. As vantagens só aparecem ao longo do tempo. A rede de esgoto a vácuo já é bastante conhecida,em alguns países, da Europa, Ásia e também África, e começou a ser usada no Brasil há pouco mais de 4 anos. "Geralmente, o esgoto a vácuo só é implantado em grandes empreendimentos, porque a instalação é cara, pois não foi desenvolvida para residências. Sua eficiência, no entanto, é muito maior que a do sistema de esgoto convencional o retomo do dinheiro vem em médio prazo", comenta o engenheiro Osvaldo Barbosa de oliveira Junior, da empresa Evac do Brasil, uma das precursoras dessa tecnologia. Estrutura Para que o sistema comece a funcionar é preciso uma caixa de válvula e uma estação a vácuo. A tubulação é toda feita em canos de PVC, com diâmetro de 8 centímetros. Através da caixa de válvula (bomba) é feita a sucção dos detritos. "O uso de água é pouco porque é a pressão atmosférica que faz o trabalho", conta Oliveira. O engenheiro explica que a economia se dá não somente na quantidade de água - é gasto em média um litro em cada descarga -, mas também na energia, pois em um edifício vertical é preciso utilizar uma bomba de água para que a água alcance todos os andares, o que despende muita energia. Com a utilização do vácuo, a bomba trabalha menos. "Ao acionar uma descarga normal são usados em média de 6 a 12 litros de água. Com o esgoto a vácuo, o consumidor economiza água e dinheiro também. O shopping Frei Caneca, por exemplo, economiza cerca de R$ 100 mil por ano em contas de água", comenta Oliveira. O sistema a vácuo, utilizado em navios e aviões, foi também desenvolvido para a construção civil e hoje pode ser visto em alguns empreendimentos no Brasil. "Embora seja de alto custo é possível ser feito no País, basta boa vontade", diz o engenheiro. A primeira rede de esgotos a vácuo do País foi instalada no prédio da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em São Paulo. Depois vieram outros grandes empreendimentos, como o Shopping Frei Caneca, também na capital, os Aeroportos do Recife e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o Sesc e Senac também no Rio, entre outros. "O interessante é que seja aplicado em grandes centros, onde há um fluxo maior de pessoas", observa Oliveira. Pelo fato desse sistema ser muito caro, e pensando na economia de água em bacias sanitárias para residências, a empresa SBConcepts, mais conhecida como Casa Smart, que faz a implantação da rede de esgotos a vácuo para condomínios, desenvolveu alguns produtos com tecnologia parecida com a do vácuo para serem usados nas casas. É o caso do vaso sanitário da linha Sanitrit - vaso com triturador. "São usados somente 3,5 litros de água e a força da bomba que fica acoplada ao vaso empurra os dejetos dentro da tubulação até seis metros de altura e numa distância de 100 metros", comenta o diretor da empresa Marc Moerschel. Cada vaso custa R$ 3 mil.
Fonte: O Estado de São Paulo, Construção, 13/02/05. |