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Novos desenvolvimentos para construção civil consolidam o uso do PVC

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Novos desenvolvimentos para construção civil consolidam o uso do PVC

Um novo e mais incisivo posicionamento sobre o segmento da construção deverá marcar a trajetória brasileira do PVC no novo milênio, a resina mais demandada no mundo depois do polietileno, com consumo estimado em 25 milhões de toneladas ao ano, distribuídas pelos ramos da construção (58%), embalagens (9%), automobilístico (4%), mobiliário (3%), elétrico (2%) e outros (24%).

Alvo preferido do ataque ambientalista nas últimas décadas, em razão do cloro presente em sua composição, na dosagem de 56,8%, a resina deverá ter seu emprego expandido, em especial nos setores essenciais para a vida humana, como habitacional, edificações industriais e comerciais, escolas, saneamento, obras de infra-estrutura e outros.

A chegada do novo tempo é sinalizada pelo comportamento dos produtores, entidades setoriais, especialistas e técnicos. Eles estão mais coesos e se associam no mundo inteiro, visando alargar as possibilidades para além dos tubos e conexões, a plataforma de sustentação do PVC há décadas, intensificando as possibilidades de uso em perfis, janelas, pisos, revestimentos, laminados, fios e cabos, portas sanfonadas, divisórias, forros, decks, coberturas de piscinas etc., seja como componente decorativo e/ou construtivo.

Prova da importância do PVC para a atividade da construção, e de uma recíproca também verdadeira, está consubstanciada no estudo "O PVC na Indústria de Construção", realizado pelo Instituto do PVC, com a finalidade de oferecer uma ferramenta de trabalho aos associados, para que possam aquilatar, por intermédio de análises estatísticas retrospectivas e prospectivas, o grau de participação do produto em vários setores da construção. Ao promover tal estudo, o Instituto também visou apontar grandes oportunidades para a transformação, as quais, podendo ser seguidas pelos transformadores, propiciariam crescimento não só vegetativo para a resina, como ainda fariam sua produção crescer, fomentada por aplicações em novos nichos de mercado, a exemplo dos tubos para redes de água acima de 300 mm de diâmetro, onde o PVC tem índice de participação igual a zero, e tubulações em PVC de até 3 m de diâmetro, que viriam suprir os sistemas de drenagem de águas tão precários nas grandes cidades.

Plataforma de consumo

As indústrias da construção absorvem 64% da produção de PVC. Juntos, os fabricantes do setor têm fôlego para produzir 720 mil toneladas ao ano, volume que indica a capacidade instalada, detendo, segundo avaliação do Instituto do PVC, índice operacional de 95%, enquanto no resto do mundo a taxa de operação é de 81%.

A principal demanda do PVC está concentrada na fabricação de tubos e conexões, mas para se ter idéia mais aproximada da sua participação em alguns setores, basta lembrar que, em se tratando de tubos para redes de água, em diâmetros normais e de até 300 mm, o produto detém 80% das aplicações, enquanto tubos fabricados a partir de outros materiais, como cobre, ferro fundido ou PE, dividiriam o remanescente. Nas redes de esgoto prediais, sua utilização é ainda maior, atingindo 95% das instalações.

No passado, a posição de liderança do PVC em alguns setores já estava clara. Uma análise apontando a evolução da demanda brasileira de tubos e conexões de PVC, no período de 1989 a 1998, revelou uma taxa média de crescimento de 8,1% ao ano, bem como maiores probabilidades de expansão daqui por diante, sendo direcionadas às redes de água e esgoto sanitário. É claro que, dependendo do volume das iniciativas que possam ser tomadas em direção ao combate do déficit habitacional ou à conquista ao direito de ter saneamento básico, os quais podem decorrer dos programas de privatização já iniciados pelo governo, o potencial da demanda expandido indicará o consumo mais intenso dos produtos em PVC.

"A criação de programas de combate ao déficit habitacional e as privatizações do saneamento básico e ambiental podem, sem dúvida, atuar como alavancas de crescimento para o PVC", destaca o presidente do Instituto do PVC, Francisco de Assis Esmeraldo, personalidade reconhecida no setor por seu empenho na difusão da imagem do PVC, considerando-o o plástico incomparavelmente versátil, e grande incentivador de novas aplicações para o produto.

Há uma década, de acordo com dados registrados pelo Instituto, o PVC vem crescendo ao ritmo progressivo e gradativo de 1% ao ano pela demanda da construção. "Em 2000, registrou-se maior ascensão do PVC em laminados empregados em forros, lambris, janelas e portas, com um percentual de 25% de aumento em relação a 1999", informou o presidente do Instituto.

É interessante destacar que a utilização do PVC em forros, embora represente um desenvolvimento relativamente recente, já vem absorvendo, segundo o estudo promovido pelo Instituto, 35 mil toneladas do produto ao ano, correspondendo a cerca de 25% do mercado total, devendo crescer entre 10% e 15% nos próximos anos. Além disso, os forros em PVC apresentam uso mais intenso na região Sul do País, onde se observa que o potencial do produto no sentido de promover o deslocamento de outros, confeccionados em madeira, gesso ou poliestireno expandido, por razões de praticidade, sem exigir manutenção.

Considerada "especialidade brasileira", juntamente com os forros, as portas em PVC, especialmente as sanfonadas, representam outro nicho de mercado em crescimento, respondendo pelo consumo atual de 5 mil toneladas/ano, que deverá, no entanto, crescer em torno de 5% a 7% ao ano.

O PVC tem participação de 4% no mercado de pisos, mas conta, porém, com tendência favorável ao crescimento nesse setor, em torno de 2% a 3% ao ano

Praticamente iniciando seu cicio de vida no País, o mercado de janelas em PVC, considerado embrionário, pequeno mesmo quando comparado com o americano, onde se estima vender 50 milhões de unidades em 2000, ou com o maduro mercado europeu, onde o consumo do PVC em janelas cresceu em torno de 16% ao ano, no período de 1970 a 1995, é também visto como um dos mais promissores.

Incansável defensor do PVC, Assis Esmeraldo ainda diz: "O PVC é o plástico mais recomendado para emprego na construção civil, pois, por ser constituído por cloro, impede a propagação do fogo, sendo reconhecidamente um material anti-chama, auto-extinguível, propriedade que faz com que possa vir a ser recomendado pela ABNT, a Associação Brasileira de Normas Técnicas, para todas as aplicações onde se requer alta resistência ao fogo, como no caso do recobrimento de fios e cabos", antecipou o presidente do Instituto.

Aliás, a capacidade de promover o isolamento de fios e cabos constitui uma das mais antigas aplicações do PVC, originalmente usado como substituto da borracha. No Brasil, 70% do mercado de fios de baixa tensão é do PVC. Nos Estados Unidos, o PVC detém 40% de participação no mercado de fios e cabos, estando previsto crescimento da ordem de 2% ao ano nos próximos anos, enquanto o ritmo de crescimento nas regiões em desenvolvimento deverá ser mais intenso, sendo estimado em torno de 6% a 8% ao ano.

No novo milênio, além de projetar maior crescimento no mercado da construção, o setor prevê maior inserção às causas ambientalistas, por exemplo relacionadas com a preservação de florestas tropicais, como a Amazônia brasileira, posicionando o PVC como um dos principais substitutos para a madeira, principalmente pela intensificação de uso do produto em forros, portas, janelas e outros materiais.

Reservas brasileiras

No ranking da produção global do PVC, o Brasil se integra à América do Sul, quinta região em importância no mundo, participando com 4,8% do total produzido. Ásia e Pacífico lideram a demanda mundial, com 37,1%. Na seqüência vem a América do Norte, com 24,5%, seguida da Europa Ocidental, com 22,9%, e outras regiões, com 10,7%, perfazem o total em produção no mundo.

Em complementação ao panorama da produção mundial, é bom lembrar que, em 1999, os EUA consumiram 6.900 toneladas de PVC, enquanto a Europa Ocidental demandou 6.200 toneladas e o Japão, 2.800 toneladas, sendo os três juntos responsáveis por 64% do consumo mundial.

O Brasil, contudo, está entre os países detentores de reservas para produzir PVC, apresentando, portanto, dois tipos de fonte de matérias-primas para a produção do cloro, empregadas na produção do PVC. Uma delas é o próprio sal marinho, produzido em escala industrial na região do Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro, e a outra é o salgema (minério de cloreto de sódio), cujas reservas se concentram em grandes faixas litorâneas que seguem da Bahia às Alagoas. No cômputo de Assis Esmeraldo, tais reservas asseguram ao País a auto-suficiência na produção do cloro e do PVC por período superior a mais de um século.

Fonte: Revista Plástico Moderno (n.º 316 dez/jan 2001)
Por Rose de Moraes


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