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Em ponto de bala

Os componedores se modernizaram. O resto é com a retomada

"O mercado de compostos de policloreto de vinila (PVC) para terceiros fechou 2002 com capacidade instalada em torno de 300.000 toneladas e índice de ociosidade de 35-50% ", dimensiona Rui Chammas, diretor comercial da Unidade Vinílicos da Braskem, maior produtora nacional do polímero. O baixo nível de ocupação, ele interpreta, decorre do esforço de renovação de maquinário no segmento. "Novas linhas, mais produtivas, substituem as antigas, redirecionadas para o sucateamento ou formulações commodities exportáveis". Como esse reduto sempre primou por exportações pífias, sobressai a primeira alternativa. Em outra análise em tom alentador, Chammas percebe que os investimentos na atualização do parque prepararam os componedores para a retomada prometida por Lula no palanque. Outro ponto positivo que ele enxerga: a redução em outubro de 15% para 5% no IPI tende a favorecer a compra de compostos prontos por transformadores antes verticalizados nessas formulações, dada a diferença agora irrelevante entre as taxas percentuais das duas atividades, justifica o diretor.

Entre os nichos de compostos, ele avalia, fios e cabos despontam entre os mais penalizados no último período, "reflexo da parada de investimentos em telecomunicações e infra-estrutura, esta última frente, alias, frustrando as expectativas de melhora em ano eleitoral". Fios e cabos constituem o maior mercado de PVC aditivado para terceiros e Chammas concorda que, com o movimento estagnado, componedores da linha de frente, antes centrados nesse campo, têm demonstrado flexibilidade para prospectar com rapidez redutos alternativos e/ou de major valor agregado. Exemplo oportuno: Alain Besse, dirigente da componedora Rionil, vocacionada em particular para compostos de embalagens sopradas, percebeu em 2002 inéditas e fugazes incursões em seu mercado - "devido a derrocada das margens" atribui -, empreendidas pela Karina, locomotiva nacional em compostos para fios e cabos e que preferiu não dar entrevista.

A propósito, a Rionil é uma joint venture entre a francesa Atofina e, como minoritária, a Braskem. Questionado se a envergadura desse negócio não seria discreta em demasia para o porte de uma operação petroquímica que lidera a América do Sul em poliolefinas e PVC, Chammas explica que a Braskem herdou da ex-OPP uma participação menor embora histórica na Rionil e a intenção é preservá-Ia. Desse ponto de vista, mesmo o quadro atual de excedente extremo em compostos não deve, portanto, mudar tão cedo uma faceta-chave do segmento: o braço estendido em PVC aditivado pelos dois produtores da resina na país, uma vez que a Solvay é sócia da família Carvalha na componedera Dacarto Benvic.

Das novidades engatilhadas pela Braskem para 2003, Chammas acena para os formuladores de compostos com a chegada, até março próximo, de uma resina talhada para forros e perfis rígidos e semi-rígidos. "Testes de campo confirmaram sua produtividade 5-10% superior à dos contratipos convencionais", antecipa conciso o expert.

Fonte: Plásticos em Revista n.º 478 - dezembro 2002.
Por Regina Maia.


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