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Cobaia sintética

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Cobaia sintética

O treinamento de estudantes de medicina com o rato artificial ajuda a diminuir o sacrifício de animais vivos 

Testado há três anos e aprovado pela Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um rato de policloreto de vinila (PVC) contribui para o avanço do ensino das técnicas de microcirurgia. Semelhante a um rato de verdade, a cobaia sintética, lançada na Europa no final da década de 90, foi desenvolvida pela organização não-governamental holandesa Microsurgical Developements e patenteada pela belga Solvay Pharmaceuticals. Chegou ao Brasil por iniciativa do Instituto do PVC, que firmou parceria com a EPM para submeter o protótipo à avaliação dos especialistas.

Rato de PVC pesa 1 kg e simula situações no procedimento de uma microcirurgia  

Com 30 centímetros de altura, 20 de largura, o rato de PVC pesa 1kg, tem textura externa com aparência de um rato sendo operado e estruturas internas, como veia jugular, artéria carótida, traquéia, rim, bexiga, veias cava, porta e renal, aorta abdominal com artéria renal e lombares, semelhantes aos dos animais vivos. O protótipo é utilizado no ensino de microcirurgia, especialmente no aprendizado de suturas de artérias e veias, muito utilizadas nos transplantes de rins, fígado e coração. "Escolas européias e norte-americanas fazem largo uso da cobaia sintética, considerada importante ferramenta na prática microcirúrgica", conta o engenheiro Miguel Bahiense Neto, diretor do Instituto do PVC. "No Brasil, os resultados obtidos são bastante positivos".

A cobaia sintética vem acompanhada de peças sobressalentes e um programa de computador que simula diferentes situações durante um procedimento cirúrgico, como controle da aplicação de anestésico, da temperatura, da respiração e dos batimentos cardíacos, diz Bahiense Neto. Às vezes, a dose inadequada de anestésico, por exemplo, provoca o sofrimento e a morte do rato, antes de o experimento ser concluído. Em conseqüência, o aluno tem de usar outro animal. Com o software, enquanto treina a microcirurgia no protótipo, o estudante aprende a acompanhar e controlar as alterações das funções vitais quando ele vai praticar na cobaia viva, evitando o sacrifício dos animais.

A doutora Edna Frasson Souza Montero, professora do curso básico de microcirurgia da EPM, aprova o rato de PVC. Segundo ela, os alunos ficaram satisfeitos com a novidade. "A microcirurgia é um procedimento muito delicado, que exige concentração total em relação à técnica. O anestésico ou sangramento, por exemplo, podem desviar a atenção e levar à ocorrência de erro no processamento da operação, plenamente sanável se a cobaia é de plástico", afirma. "Além de reduzir em cerca de 40% o uso de animais vivos, o protótipo contribui para o aperfeiçoamento da técnica e dá mais segurança aos estudantes."

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Fonte: Revista Valor Setorial - Indústria do Plástico, Ensino, pág 40, out/04,
por Lizete Teles de Menezes.


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