
“Moda para nós é design concebido para industrialização”, define Edson Matsuo, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Grendene. “Somos uma exceção num setor que insiste em focalizar o processo calçadista pela visão tradicional incutida pela cultura artesanal do couro, ou seja, intensiva em mão-de-obra e limitada em volume”. Na via oposta, a Grendene surfa numa produção na média anual de 120 milhões de pares moldados apenas com PVC, a partir de compostos formulados pelo grupo. Foi essa abordagem industrial do negócio que brindou a empresa com pioneirismos que o diretor assegura de alcance mundial, caso de solados de PVC expandido. “O desenvolvimento não decorreu do composto, mas de ajustes de máquina impensáveis para o próprio fabricante do equipamento”. Para Matsuo, em boa parte aquela noção defasada da realidade do setor provém de uma parcela de estilistas de cultura diversa da formação de forte base industrial que distingue os designers que a Grendene especializa internamente. “É o que nos permite, por exemplo, transpor à linha de produção as propostas estéticas de estilistas que assinam algumas linhas que fornecemos”. Em essência, o mix da Grendene envolve calçados com diversas versões de PVC em seus componentes e modelos full plastic, 100% moldados com apenas um tipo do vinil. “No primeiro caso, um exemplo é um solado de PVC expandido com cabedal rígido”, esclarece o expert. Quanto ao full plastic, sua melhor referência é a sandália Melissa, preferência nacional no gênero. Matsuo comenta, a propósito, que o plástico em nada limita a criatividade do estilista e sua imagem de artigo de massa bate com a vocação da Grendene para altos volumes. Das tendências em cena na moda calçadista, o diretor flagra o esforço por incrementar a aeração, textura interna e, na ala full plastic, a exploração do apelo lúdico e bem-humorado inerente ao plástico. Matsuo concorda que seguem firme os modelos plataforma, devido à altura média da brasileira e, quanto à transparência, ele julga que, no plano geral, esse recurso hoje se restringe a determinados componentes externos e reduziu a presença em calçados full plastic. “Mas há exceções como nosso tênis mais vendido, o tipo cristal, de apelo lúdico e que assume a cor da meia”. Fonte: Plásticos em Revista,
agosto/03 n.º 485, pág. 52, |