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Biodigestores de PVC já movimentam 250% a mais

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Biodigestores de PVC já movimentam 250% a mais

A indústria transformadora de PVC está colhendo os frutos dos últimos investimentos em desenvolvimento de novos produtos. Entre as empresas do setor de filmes e laminados, Cipatex e Sansuy produzem biodigestores de PVC para a agroindústria. Juntas, as duas únicas fabricantes do produto esperam faturar pelo menos R$ 55 milhões, entre as vendas de 2005 e 2006.

A Sansuy, que vendera apenas 40 unidades em 2004, já comercializou 320 unidades neste ano, faturando R$ 10 milhões, ou 250% a mais que em 2004. Até o final do ano, a companhia espera repetir o resultado do primeiro semestre. A Cipatex, que começou a comercializar o biodigestor de PVC há apenas um mês, prevê um faturamento de R$ 15 milhões até dezembro de 2006. O Protocolo de Kyoto é considerado o principal fator que viabiliza os investimentos na fabricação do biodigestor de PVC. Em parceria com empresas de impermeabilização e retenção de gases, as transformadoras de PVC encontraram o canal para, atendendo as exigências da ONU, viabilizar que as fazendas obtenham créditos no mercado de carbono. Atualmente, a tonelada cúbica do gás vale cerca de cinco euros no mercado de carbono. O metano, gás proveniente dos estercos de animais, é 21 vezes mais nocivo ao aquecimento global que o dióxido de carbono.

Daniel Honda, gerente comercial da Sansuy, aposta que em 2008 o valor da medida chegue a 42 euros. "Pelos bastidores desse mercado, fala-se que a tonelada cúbica do carbono estará valendo oito vezes mais do que vale hoje", diz. O chamado Mercado de Desenvolvimento Limpo possui um crédito e US$ 10 bilhões, até 2012. Os especialistas dizem que o Brasil, ao concentrar uma das mais extensas áreas agrícolas do mundo, tende a absorver um terço destes créditos.

Em 2004, quando lançara o produto, a Sansuy já havia comercializado cerca de 40 biodigestores, o que lhe rendera um faturamento de R$ 4 milhões. Com o crescimento da procura pelo equipamento, a Sansuy já vendeu, nesse ano, 320 unidades. Honda estima que a venda chegue a 600 unidades, até o final do ano. Com isso, a companhia projeta um faturamento de R$ 20 milhões. O executivo estima que o pico da demanda pelo produto aconteça em 2008. Segundo ele, a expiração do Protocolo de Kyoto, em 2012, não deverá anular a demanda, uma vez que já se espera que novos protocolos surjam.

Em setembro de 2004, o biodigestor da Granja Beckem, em Patos de Minas, Minas Gerais, recebeu a aprovação da ONU. Segundo Honda, a produção de 24 mil animais por ano da fazenda resultará, ao final de 2005, uma geração total de cinco mil toneladas cúbicas de metano, o que lhe proporcionará um saque de pelo menos 25 mil euros em créditos de carbono. Pelos cálculos de Honda, o biodigestor torna-se viável às fazendas que geram pelo menos 12 mil animais por ano. Atualmente, as vendas do biodigestor já representam 10% do faturamento da Sansuy.

William Marcelo Nicolau, diretor comercial da Cipatex, informa que a empresa colocou seu biodigestor no mercado há um mês, em parceria com a Recolast, que faz o projeto e a instalação do equipamento. Segundo ele, as empresas prevêem faturar R$ 15 milhões, nos próximos 18 meses.

"Nós terceirizamos a parte de projetos e instalação. A Recolast teve de investir mais que nós, com despesas em protótipos e em medidores de gás. Tivemos que trabalhar o desenvolvimento de um laminado de PVC que resista a um prazo de 10 anos de exposição à luz solar. Esse laminado tem de receber aditivos especiais para resistir aos raios ultravioleta e a alta temperatura", diz Nicolau.

Além dos benefícios ambientais, os gases retidos pelo biodigestor são utilizados na geração de energia e o esterco residual é considerado um adubo de excelente qualidade. O metro cúbico do chamado biogás tem energia equivalente a sete quilowatts, podendo ser usada em aquecimento de aviários, secagem de grãos, iluminação, refrigeração de grãos e refrigeração de câmaras frias.

Fonte: DCI - 06/09/2005,
por
Paulo Pamplona.

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