PVC Atualidades 8

O PVC

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Íntegra da edição n.º 8
jul/ago/set 99

Matéria de capa:

 Filme de PVC, um clássico da boa mesa

Brasileiro adora uma fila. Essa tese encolhe na mesma proporção em que se estica o uso do filme de PVC para embalar alimentos. À medida que o Plano Real provocou uma distribuição de renda minimamente mais justa, muitos consumidores brasileiros trocaram a fila do balcão frigorífico, dos frios e da balança na seção de hortifrutis dos supermercados pelo auto-serviço das gôndolas refrigeradas. Ali, os alimentos podem até dispensar a bandejinha. Mas, sem a proteção dos filmes de PVC esticáveis, jamais seriam os mesmos em qualidade, sob as lentes dos especialistas, e em apresentação aos olhos do consumidor. E todos voltariam às tediosas e onerosas filas, onde teriam muito tempo para pensar no que fazer com o estoque de carnes e legumes, cujo destino seria uma temporada no freezer, e depois o descongelamento no microondas.

O movimento de vendas desses eletrodomésticos, aliás, diz muito sobre o aumento do consumo de filmes de PVC para embalar alimentos. Segundo a Eletros, em cinco anos de Plano Real, as indústrias entregaram às lojas 2.504.476 freezers e 5.741.843 fornos microondas, números de grandeza inédita no Brasil. Inserida nessa mudança de hábito de consumo, a produção de filmes de PVC também foi alterada. O encolhível, para envolver embalagens, antes produzido em maior escala, foi dando espaço ao esticável (veja contracapa), específico para entrar em contato com os alimentos sejam "in natura", cozidos ou industrializados. 

"Carnes, legumes, frutas "in natura" e secas, queijos, pães, confeites, brioches, todos os frios fatiados e muitos outros alimentos são embalados em filmes de PVC, que mostram exatamente o padrão de qualidade dos produtos, sem agredir nem transformar suas características", afirma a direção do Carrefour, cuja rede de hipermercados usa os filmes desde que chegou ao Brasil, há 25 anos. O Carrefour usa somente filmes produzidos no País, e garante que eles são totalmente aprovados pelos consumidores. A Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Instituto de Pesos e Medidas (lpem) assinam embaixo: nunca registraram reclamação sobre os filmes de PVC esticáveis.

Tal aprovação tanto de consumidores em escala industrial (redes de supermercados, por exemplo) quanto domésticos, sempre é respaldada, antes, pelos laudos positivos para uso, emitidos pelo Instituto Adolfo Lutz ou pelo Centro de Tecnologia de Embalagens para Alimentos/Instituto de Tecnologia de Alimentos (Cetea/Ital). "Esses materiais evitam a desidratação dos produtos, o contato direto do alimento com o ambiente, aumentando sua vida útil e retardando sua queima pelo frio. São fortes aliados contra o desperdício de alimentos", ressalta Paulo Ricardo Campani, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento. "Não há produto similar ao PVC em eficiência para embalar alimentos", reitera Eloísa Garcia, Gerente do Grupo de Embalagens Plásticas e Meio Ambiente do Cetea/Ital.  

Opinião:

Financiamento e meio ambiente

Há muita gente para quem os movimentos e ações dos grupos ambientalistas são apenas fonte de aborrecimentos passageiros, a serem administrados pelos departamentos de marketing ou de relações públicas das corporações. E isso apesar dos freqüentes casos de empresas seriamente prejudicadas por essa pressão. Ela está agora ganhando terreno numa área crítica para o desenvolvimento e planos de expansão de quaisquer empreendimentos: a da análise de riscos de instituições financeiras mundiais e companhias de seguros. A exposição a riscos de atividades empresariais potencialmente ofensivas ao meio ambiente entra como um dos fatores importantes nas decisões sobre financiamentos ou participações em projetos novos, ou nos cálculos de prêmios de seguradoras. E os motivos são óbvios: muitas empresas têm tido pesadas perdas, e muitos empreendimentos tomaram-se inviáveis por causa da pressão de ambientalistas e da conseqüente ação corretiva ou punitiva de autoridades governamentais em quase todo o mundo. Segundo informações da vice-presidente para Assuntos Ambientais da Salomon Smith Barney, Linda Descano - que também é consultora da ONU -, desde 1992, 115 bancos internacionais e 78 seguradoras, em 65 países, assumiram um compromisso público de incorporar o "fator ambiental" nas suas decisões do dia-a-dia. O que significa que os projetos que desprezem esse fator terão pouca chance de serem apreciados. 

  Por Marco Antônio Rocha
Jornalista especializado em economia e
finanças e sócio da XYZ
Comunicação.

Mais uma utilidade para o PVC: as artes plásticas

A experiência com as formas tridimensionais aplicadas à cenografia teatral, área em que atua há 20 anos, levou o artista plástico Nélson Magalhães à criação de móbiles gigantes de PVC. Após experimentar chapas de compensado e aglomerado de papelão, Magalhães descobriu as placas de PVC com 3 milímetros de espessura. "Em dois meses, criei 80 trabalhos em PVC. Uso o PVC, fundamentalmente, pela leveza, versatilidade, variedade de cores, facilidade de cortar, colar e manusear, além de ser lavável", explica. As formas geométricas que se encaixam e separam pela ação do vento ou de correntes de ar, diz ele, fascinam gente grande e pequena que, seduzidas pelo movimento, contemplam as obras. Como na primeira exposição do artista, no Mercado Público da capital gaúcha, no último verão porto-alegrense, em que os móbiles ficaram pendurados junto às clarabóias do lugar. "Os móbiles são uma proposta extremamente diferente, é um pensar diferente artisticamente, de forma e material. É a procura de uma molécula, de uma estrutura, é a busca de outra estrutura de raciocínio, uma provocação e ao mesmo tempo um jogo", filosofa Nélson Magalhães.

Acontece:

Agenda

23/08, 2ª feira, às 19h:30
Palestra: do Assessor Técnico do Instituto do PVC, Miguel Bahiense Neto, a convite da Secretaria do Meio Ambiente de Leme.
Tema: "Reciclagem de Plástico no Brasil e no Mundo".
Local: Faculdades Integradas Anhanguera de Leme (FIAN). R. Waldemar Silenci, 340, Leme – SP.

23/08 a 25/08, das 8h:30 às 18h:30
3o Congresso de Atuação Responsável, promovido pela Abiquim.
Local: Gran Meliá São Paulo Hotel. Av. Nações Unidas, 12.559, São Paulo – SP.

24/09, 6ª feira, das 8h:45 às 10h30
Café da manhã: com o jornalista Washington Novaes e Cid Brügger da Brugger & Gribel Consultoria Ltda.
Temas: 
"A Questão do Lixo no Mundo e a Importância da Reciclagem". 
"O Processo Legislativo: Principais Projetos em Tramitação no Congresso, Regulamentando o Uso dos Plásticos". 
Local: Hotel Sofitel - Bloco I. R. Sena Madureira, 1.355, Ibirapuera, São Paulo – SP.

28/09 a 02/10, das 9h00 às 17h30
Acquasur – 1o Encontro Sul-Americano sobre Qualidade da Água e Workshop "A Cadeia Produtiva do PVC e a Conservação da Água".
Local: Fiesta Convection Center. Av. Antônio Carlos Magalhães, 711 – Itaigara. Salvador – Ba.  

Via internet

No primeiro semestre de 1999, a home page do Instituto do PVC foi visitada 31.988 vezes. Desse total, 16,7% visitaram a versão em inglês, 15,4% em espanhol e 67,8% em português.   

PVC em dia:

 Pelos Continentes

Holanda: Método analítico de controle da migração dos ftalatos em brinquedos de PVC é aprovado  – Após dois anos de tentativas e debates, o Governo holandês anunciou a aprovação de um método analítico "confiável" capaz de determinar com precisão os teores de migração dos plastificantes presentes nos brinquedos de PVC. Denominado Dutch Test Method, o procedimento científico foi validado após testes em seis laboratórios na Holanda, Alemanha e Reino Unido, e consiste na simulação da extração dos ftalatos existentes nos brinquedos, quando submetidos à ação da saliva humana. Nessa primeira etapa foi escolhido o DINP (di isononil Ftalato), por ser o plastificante mais utilizado na fabricação de brinquedos de PVC flexível na Europa. 

Suíça: Sem restrições às garrafas de PVC  – O Ministério do Meio Ambiente da Suíça anunciou seus planos para eliminar todas as restrições ao uso do PVC na fabricação de garrafas de água mineral, cerveja e demais bebidas carbonatadas. Em 1990, o governo suíço proibiu o uso do PVC nessa aplicação, alegando que elas atrapalhavam a reciclagem de outros plásticos. Atualmente, há vários métodos automáticos para separar os diversos tipos de plásticos. Novos estudos científicos também eliminaram qualquer preocupação com o produto e, portanto, as restrições não mais se justificam. 

Estados Unidos: Baixas concentrações de dioxinas não causam problemas à saúde ou ao meio ambiente  – Recente estudo publicado no renomado jornal científico americano National Cancer Institute mostra que as baixas concentrações de dioxinas presentes no meio ambiente não causam qualquer problema à saúde humana. Kile Steenland, co-autora do estudo, afirmou que não vem sendo registrado um aumento nos casos de câncer, exceto quando o nível de exposição é muito elevado. Pesquisadora do National Institute for Occupational Safety and Health (Niosh), órgão responsável pelas avaliações na área de saúde ocupacional nos EUA, Kile afirma que a quantidade de dioxinas no meio ambiente está declinando em função das melhorias nos processos de fabricação e maior controle das principais fontes dessas substâncias. Vale lembrar que as dioxinas não são substâncias fabricadas, a não ser para fins de pesquisa. Elas são subprodutos de reações naturais ou industriais. 

Vida Contemporânea

Aumenta a reciclagem de esquadrias de PVC  – A quantidade de PVC usada na produção de janelas vem aumentando de forma expressiva nos últimos anos em toda a Europa, principalmente na Alemanha (crescimento de 27% no período 1995/1996). Como forma de absorver esse aumento no consumo, crescem também os volumes de esquadrias recicladas. O PVC reciclado a partir das janelas antigas está sendo usado na confecção das camadas internas dos perfis das novas esquadrias, fazendo com que o PVC tenha um novo ciclo de vida no mesmo tipo de produto.  

Adeptos de esportes radicais apresenta o "Zorbing": descendo colinas dentro de bolsas de PVC  – O Zorbing, originado na Nova Zelândia, é o mais novo esporte radical a desafiar os adeptos da alta adrenalina, e já chegou na Alemanha, Suíça e Áustria. O praticante entra em uma grande bola de PVC transparente de três metros de diâmetro em que há espaços de 70 centímetros que o separam das bordas da bola para evitar acidentes. Uma vez na bola, ele escolhe a sensação que terá. Optando-se por uma superfície plana, como a velocidade é muito baixa, a sensação é de estar planando no ar. Adeptos de fortes emoções podem optar por descidas em colinas, onde a velocidade chega a até 50 quilômetros por hora. Mais uma prova de que as aplicações do conhecido PVC não tem limites, pois há mais de 40 anos viabiliza a transformação de idéias em brinquedos.

PVC protege os alimentos:

Estique e use

Os que preconizam o fim do Plano Real não encontram respaldo pelo menos no segmento específico das indústrias de filmes de PVC. Desde a implantação da nova realidade econômica no País, em julho de 1994, o segmento de filmes de PVC esticáveis, próprios para embalar alimentos, vem planejando expansão e desenvolvendo produtos, cujo alvo principal é o próprio mercado brasileiro. Empresas não faltam. Empresas sócias do Instituto do PVC dão o tom do que acontece no País, como o termômetro de um movimento sempre mais esticável. Em setembro, a produção do Banfilme Esticável, da Indústria Bandeirante de Plásticos, passa de 400t/mês para 600t/mês. O salto também prevê aumento de exportações aos vizinhos de Mercosul, que consomem 10% da produção do Banfilme Esticável. A divisão Vitafilm, da Goodyear, expandirá a escala de produção, mantendo a relação de 85% de esticáveis (linha Omnifilm) e 15% de encolhíveis – para envolver embalagens, como caixas de bonecas. No início, em 1993, a Vitafilm produzia 280t/ano, este ano 450t, e o quanto crescerá ainda é segredo. Já a Macrofilm Indústria e Comércio, que até 1997 só fabricava encolhíveis, há dois anos apostou nos esticáveis. Hoje, a produção do Filmac é de 280t/ano.

De lá para cá

Em 1969, apenas três anos após o início da produção nos Estados Unido e na Europa, os filmes de PVC esticáveis passaram a ser transformados no Brasil. Exatamente três décadas depois, no ano passado, das 704 mil t de PVC consumidas no Brasil, 7.000t foram extrudadas em filmes esticáveis. E, ainda, importadas 2 mil t desses filmes prontos. Este ano, o mercado destes filmes crescerá de 10% a 20% em relação a 1998 – um misto de substituição das importações e crescimento da demanda interna.

Redução da espussura

O Banfilme Esticável de 8 micra, lançado este ano, é o mais fino do mercado brasileiro, e se dirige ao uso doméstico. A boa notícia é que o custo de produção caiu 70%, se refletindo em preços cerca de 35% menores ao consumidor final. O Omnifilm de 10 micra, também foi lançado este ano, prometendo queda dos preços. O custo de produção é 30% menor do que para os filmes mais espessos. 

Quem conhece, sabe

A permeabilidade média dos filmes de PVC esticáveis é uma desuas principais vantagens, pois a embalagem dos produtos "in natura" deve permitir a troca de gases e umidade com o ambiente e ainda protegê-los da contaminação. Versátil, o PVC admite várias formulações (com aditivos), para produzir filmes esticáveis com as propriedades exigidas por diferentes alimentos, enfatiza Eloísa Garcia, do Cetea/Ital.

Atoxidade

Para entrar em contato com os alimentos, os filmes de PVC devem ter laudo de aprovação do Instituto Adolfo Lutz ou do Cetea/Ital. Para isso, a indústria cede uma amostra do produto e a lista de aditivos incorporados ao PVC. Os aditivos da formulação têm de constar na Lista Positiva produzida pelo Ministério da Saúde de cada país-membro do Mercosul, com base em metodologias americana e européia reconhecidamente idôneas mundialmente.

Testes

Os filmes passam por testes de resistência à temperatura, contato rápido ou prolongado, migração de suas propriedades para os alimentos - 6 solventes simulam todas as propriedades dos alimentos a ser envolvidos. A aprovação do filme para determinado uso é atestada por meio de laudo específico, sem o qual o produto não pode ser comercializado.   


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