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jul/ago/set
05
O Brasil na rota das principais questões ligadas ao PVC
A indústria do PVC se caracteriza pelo trabalho contínuo por integração, fortalecimento e garantia da competitividade em todos os elos de sua cadeia produtiva. Busca a troca de informações sobre novas tecnologias que possam garantir inovações em mercados ainda não atendidos, contribuindo para o bem-estar da sociedade. Sua visão de futuro baseia-se em produzir em sintonia com as melhores práticas do Desenvolvimento Sustentável.
Com esse objetivo, o Brasil foi palco de um importante encontro da cadeia mundial do PVC ao sediar, nos dias 07 e 08 de junho, o 1º Congresso Brasileiro do PVC. A iniciativa reuniu grandes nomes do setor e posicionou definitivamente o Brasil na rota das principais discussões internacionais. “Nosso objetivo é transformar a iniciativa brasileira em referência mundial para as questões de tecnologia, inovação e Desenvolvimento Sustentável”, afirmou Roberto Simões, presidente do Conselho de Administração do Instituto do PVC.
Na abertura do Encontro, a Secretária Adjunta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Dra. Suani Teixeira Coelho, parabenizou a iniciativa e destacou a inclusão do Desenvolvimento Sustentável nos debates, afirmando que a postura da indústria do PVC é um exemplo a ser seguido por outros setores da economia.
Os debates de alto nível para a sustentabilidade dos negócios do PVC foram a marca do encontro. “A criatividade de nossa indústria sempre esteve baseada na inovação”, diz Francisco de Assis Esmeraldo, presidente do Instituto do PVC. Desde materiais reciclados, transformados em jóias pelas mãos talentosas da designer internacional Mana Bernardes, até a utilização da nanotecnologia – manipulação inteligente das moléculas – o 1º Congresso Brasileiro do PVC ofereceu um panorama completo da versatilidade do PVC.
Durante o evento, Assis Esmeraldo disse que o intercâmbio de experiências é fundamental para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva. O executivo comentou, ainda, que a indústria brasileira já trabalha para organizar o próximo encontro, em 2007. Cerca de 290 pessoas, entre executivos de várias partes do mundo e do Brasil, representantes de setores como construção civil, arquitetura e meio acadêmico, autoridades governamentais e imprensa, acompanharam atentamente a programação do Congresso que ofereceu, segundo os participantes, um vasto conteúdo sobre o que há de mais atual na indústria do PVC.
Anatomia de um Congresso
Em 1959, o diretor de cinema Otto Preminger lançou o filme “Anatomia de um crime”, que imediatamente tornou-se um sucesso mundial devido não só à magistral direção, mas principalmente pelo enredo, pelas sutilezas e pelos detalhes. Mas o filme não exibia apenas isso. Seu enredo mostrava também um crime.
De minha parte, após o término do 1º Congresso Brasileiro do PVC, fazendo uma análise crítica, descobri que também nele, além de bem estruturado, havia sutilezas e detalhes dignos de registro, tal qual em um “crime”, mas que neste caso classifico de “insensibilidade”.
As preocupações com essas sutilezas e detalhes – causa de várias noites insones, cheias de expectativa e angústia, para toda a equipe organizadora – também foram responsáveis pelo sucesso do 1º Congresso, refletido na opinião dos 265 participantes, dos quais 96,7% ficaram amplamente satisfeitos e 100% pretendem participar do próximo. Além disso, 88% o classificaram como excelente e muito bom, 10,9% acharam bom e apenas 1,1% regular. Destaque-se ainda que para 94,5% dos entrevistados o 1º Congresso atendeu plenamente suas expectativas.
As sutilezas e os detalhes, a exemplo do filme citado, fizeram-se presentes ao longo de toda a realização do Congresso, com atitudes como apagar as luzes durante a solenidade de abertura ressaltando a beleza de uma luminária de PVC, até a exibição de jóias e distribuição de brinde confeccionado na hora por designers especialmente convidados. Tudo em PVC, é claro.
Some-se a isso o ato de reconhecimento público pelo formidável trabalho desenvolvido em âmbito mundial pelo diretor executivo do European Council of Vinyl Manufacturers – ECVM, Jean-Pierre De Grève, em favor da cadeia produtiva do PVC.
Por outro lado, a “insensibilidade” fica por conta daqueles que, por não entenderem os propósitos de um Congresso que foi concebido dentro de um modelo preocupado em construir o futuro, preferiram utilizá-lo como um balcão de negócios...
Por Francisco de Assis Esmeraldo,
presidente do Instituto do PVC.
Este artigo foi escrito exclusivamente para o PVC
Atualidade.
Empresas patrocinadoras que tornaram possível a realização do 1º Congresso Brasileiro do PVC:
Braskem
Elekeiroz
Solvay Indupa
Vipal
Dacarto-Benvic
ExxonMobil
Karina
Petrom
Agilcor
Cabot
Carbocloro
Grendene
Nitriflex
Sansuy
Sasil
Tigre
Vulcan
Perspectivas positivas para o mercado de PVC
Para abrir os debates no 1º Congresso Brasileiro do PVC, nada mais importante do que discutir as perspectivas do mercado para o setor. Em pauta, as possibilidades de crescimento da produção, demanda, consumo e tendências mundiais.
Essas perspectivas de crescimento no mercado de PVC se baseiam, principalmente, em sua forte ligação com a construção civil. Os países da América Latina caracterizados como países em desenvolvimento, quase todos com sérios problemas de infra-estrutura, como saneamento e habitação, apresentam potenciais significativos de crescimento, já que a construção civil representa cerca de 65% do consumo de PVC.
Sobre o mercado brasileiro, Carlos Lollato, da Braskem, apontou o crescimento de 55% da demanda por crédito no primeiro trimestre de 2005, em relação ao mesmo período de 2004, como uma boa perspectiva para a construção civil e, conseqüentemente, o PVC. No entanto, os debates evidenciaram as várias fragilidades do segmento, principalmente os obstáculos com a política de juros, cujo valor real flutua num patamar a não estimular o investimento produtivo.
Outros fatores que interferem nessa atividade são a baixa renda e elevada carga tributária. O segmento formal responde por 45% do faturamento e 71% da arrecadação do setor. Francisco de Assis Esmeraldo, presidente do Instituto do PVC, no entanto, afirma que as perspectivas são promissoras. “Não só por força do provável marco regulatório para o saneamento, como também pelas promessas governamentais em disponibilizar linhas de crédito substancialmente superiores a 2004”, comenta.
No mercado latino-americano, as boas perspectivas estão na utilização do PVC em novas aplicações. A conferencista Mabel de Guillem, da PETCO – Petroquímica Colombiana, destacou os cones de trânsito, telhas, pisos e perfis para janelas como grandes oportunidades de mercado para o PVC na América Latina. O bom desempenho do México e a queda na produção e consumo na Venezuela (devido à crise enfrentada pelo país), também foram citados pela especialista. Como forma de fortalecer a indústria do PVC na América Latina, Mabel ressaltou a importância do desenvolvimento do mercado regional.
Já a análise do mercado mundial de PVC mostrou crescimento ininterrupto de capacidade, produção e consumo de 1990 até 2004. Essa elevação deve-se principalmente à maior representatividade dos países asiáticos no mercado de PVC, em especial, a China. Nesse sentido, Stephen W. Harriman, diretor superintendente da Harriman Chemsult, da Inglaterra, alertou sobre uma possível auto-suficiência da China em PVC e a conseqüente elevação de produtos disponíveis para exportação. O especialista disse que os maiores prejudicados serão países como Taiwan, Coréia do Sul e Japão. No entanto, o efeito pode atingir indiretamente os Estados Unidos e Europa.
O painel “Mercado”, do 1º Congresso Brasileiro do PVC, mostrou que são boas as perspectivas para o PVC no mercado mundial. Por sua versatilidade, longa vida útil, reciclabilidade e, em especial, a sustentabilidade de sua indústria, o PVC está presente nas mais variadas aplicações. É utilizado com sucesso desde a construção civil, passando pela indústria automobilística até a área médica, sendo um dos plásticos mais utilizados no mundo e com grande potencial de crescimento.
Tecnologia construindo presente e futuro
O comprometimento da cadeia produtiva do PVC com a sustentabilidade do negócio exige qualidade, alta performance nas aplicações, longa vida útil e métodos eficazes de reciclagem. Para isso, sua indústria de baseia em tecnologia de ponta em todos os segmentos da cadeia produtiva, mantendo seu foco no futuro e sempre em busca de inovações.
Para manter-se na vanguarda dos avanços tecnológicos, é fundamental estar atento às novas possibilidades, a fim de agrega novas propriedades e valor aos produtos. No 1º Congresso Brasileiro do PVC foram debatidas desde as características que fazem do PVC o 3º plástico mais utilizado do mundo, até as novas tecnologias que podem potencializar suas características.
Um exemplo é a nanotecnologia. Considerada por muitos especialistas como a 5ª Revolução Industrial, a ciência consiste na manipulação inteligente das moléculas, proporcionando novas propriedades aos produtos. Os investimentos em nanotecnologia não param de crescer e a cadeia produtiva do PVC mostrou que não está na contramão dessa tendência. A diretora técnica do ICIPC – Instituto de Capacitación y Investigación sobre Plásticos y Caucho, Dra. Maria del Pilar Noriega, alertou sobre as ótimas perspectivas para o PVC nesse mercado. “Automóveis, fios e cabos, construção civil e embalagens são perfeitas para sua aplicação”, afirmou.
Outro item fundamental para o desenvolvimento da indústria é o controle de processos de transformação, assunto também debatido no evento. Esse controle visa atende às regulamentações técnicas que garantem qualidade aos produtos nessas aplicações. Natal Garrafoli, diretor do Setorial de PVC da ASFAMAS – Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais e Equipamentos para Saneamento, disse que o setor está empenhado em aplicar normas técnicas rígidas de qualidade no processamento de tubos e conexões de PVC. “Em 1989, o índice de não-conformidade estava entre 30% e 40%. Em 2003, com o programa de garantia de qualidade implantado pelas ASFAMAS, girava em torno de 5%”, comentou.
Esse rigoroso controle de qualidade, aliado a propriedades como longevidade, durabilidade, alta resistência mecânica e a intempéries, inocuidade e custos competitivos, fazem do PVC o material mais indicado para tubos e conexões. Quando o assunto é transporte de água potável, essas características são ainda mais importantes. Bob Walker, diretor executivo da Uni-Bell PVC Pipe Association, revelou que os custos com aplicação e manutenção do PVC chegam a ser 300% inferiores no comparativo com outros materiais. “Somente nos Estados Unidos, os gastos diretos relacionados à corrosão, problema que não atinge o PVC, chegam a US$ 36 bilhões por ano”, afirmou.
São muitos investimentos em pesquisa e tecnologia a fim de desenvolver novas possibilidades, como a Vinyloop®. A nova tecnologia de reciclagem de PVC, desenvolvida pela Solvay, foi apresentada no Congresso por Helmuth Leitner, gerente internacional para assuntos ambientais dos plásticos.
De acordo com o executivo, o processo utiliza solventes seletivos para o PVC de forma a separá-lo de resíduos contaminantes. “O PVC é recuperado junto com aditivos e obtém-se compostos de PVC de alta pureza, pronto para ser reprocessado”, explicou Leitner.
Progresso social, viabilidade econômica e compromisso ambiental
As exigências de caráter ambiental, social e econômico relacionadas à aplicação prática do conceito de Desenvolvimento Sustentável são plenamente atendidas pelo processo de produção e aplicação do PVC. Seja na utilização de matérias-primas renováveis, em sua maioria, ou por disponibilizar produtos que melhoram a qualidade de vida da sociedade, a verdade é que o PVC está completamente inserido no rol dos produtos que contribuem progressivamente para o bem-estar das pessoas.
O PVC é um produto altamente diferenciado. Cerca de 70% dos produtos de PVC se destinam a atender carências básicas da população, como habitação, saneamento básico, suprimento de água e área médica. A sustentabilidade do PVC começa na utilização do sal marinho, recurso inesgotável na natureza, como sua principal matéria-prima, passa pela produção com rigoroso controle ambiental, e termina com produtos de longa vida útil e 100% recicláveis.
Esses fatores fazem do PVC um ótimo aliado da construção sustentável. A preocupação com a seleção de materiais com menor impacto ambiental está cada vez mais presente na indústria e foi enfatizada por Vanderley John, da Escola Politécnica da USP, durante o 1º Congresso Brasileiro do PVC.
As janelas de PVC são um exemplo dessa lógica. Prova disso é o incentivo do governo japonês à utilização do PVC em substituição aos materiais tradicionais no setor, como forma de contribuir para redução da emissão de CO2, na tentativa de alcançar os índices estipulados pelo Protocolo de Kyoto. “As janelas de PVC têm isolamento térmico 3 vezes superior às de alumínio, o que reduz o consumo de energia durante o uso de sistemas de refrigeração e calefação de ambientes e, conseqüentemente, a emissão de gases para a atmosfera”, afirmou Miguel Bahiense Neto, diretor do Instituto do PVC.
Mas não é apenas no meio urbano que o PVC consegue unir bem-estar social, viabilidade econômica e controle ambiental. O mesmo acontece no agronegócio. Um bom exemplo são os biodigestores. O equipamento acumula o gás metano – um dos causadores do efeito estufa - liberado pelos excrementos dos animais, além de evitar que estes sigam diretamente para o solo e efluentes, podendo causar contaminações. Além do controle ambiental, a utilização dos biodigestores gera energia, através da queima do metano e fertilizantes. De acordo com o prof. Jorge de Lucas Jr., da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o PVC possibilitou que os biodigestores voltassem a ser economicamente viáveis. “Além de sua resistência química e facilidade de manutenção, o PVC ainda possui custo inferior aos outros materiais”, afirmou.
Um importante exemplo do trabalho conjunto e pró-ativo da cadeia produtiva do PVC em relação à sustentabilidade, também apresentado no 1º Congresso, é o Acordo Voluntário da Indústria Européia, chamado Vinyl 2010. Jean-Pierre De Grève, diretor do European Council of Vinyl Manufacturers (ECVM), disse que o programa consiste em buscar a melhoria contínua dos processos produtivos do PVC e incentivar sua reciclagem. “O resultado dessa iniciativa é que o PVC não pára de crescer nos mercados tradicionais e em novas aplicações, amparado por uma simpatia e aprovação por parte da população”, afirma o especialista.
No sentido de divulgar os diferenciais do PVC e sua contribuição para esta nova lógica de produção fortemente baseada no Desenvolvimento Sustentável, o Instituto do PVC faz importante trabalho de comunicação e relacionamento com os diversos segmentos da sociedade, para promover as vantagens e características técnicas e científicas do PVC. Um projeto semelhante, realizado na Alemanha, tem obtido grande sucesso. Batizado de “PVC Plus”, o trabalho visa difundir os vários usos do PVC e sua contribuição para a vida moderna. A indústria alemã do PVC conseguiu que a visão positiva do PVC saltasse de 36% em 1998 para 61% em 2000, segundo pesquisa de opinião realizada no país.
Inovações em PVC: novas aplicações para antigas necessidades
PVC mais resistente a altas pressões - Na África do Sul, a empresa DPI Plastics fabrica tubos de PVC modificado (PVC-M) para atender uma das principais atividades econômicas do país: a mineração. Os tubos trabalham sob altas pressões, da drenagem de água e lodo à alimentação de ar. Segundo Mike Osri, da DPI Plastics, também são usados para levar água gelada (5ºC) às profundezas das minas, que chegam até 5 mil metros, para refrigerar os ambientes com temperaturas acima dos 40ºC e 90% de umidade.
Performance, versatilidade e sustentabilidade - Estas são as características que fazem do PVC um importante aliado da indústria automotiva. São revestimentos de bancos, painéis, mangueiras, fios e cabos, tapetes e peças em geral. Graças a elas, os carros podem apresentar vantagens como alto poder isolante, leveza, conforto e reciclabilidade. Segundo o gerente internacional da Solvay Solvin, Helmuth Leitner, as montadoras têm usado cada vez mais PVC, especialmente pela ótima relação custo-benefício.
Telhas de PVC: novo nicho na construção civil - Desenvolvidas pela First Plast, as telhas de PVC estão disponíveis em diversas cores e formatos. Segundo Giulio Mantelli, representante da empresa italiana, elas oferecem propriedades não atingidas simultaneamente por materiais tradicionais, como isolamento termo-acústico e elétrico, resistência ao fogo e intempéries, raios ultravioletas e maresia. O produto resiste a altas e baixas temperaturas e possui baixa necessidade de manutenção.
Segurança dos ftalatos - Durante o 1º Congresso Brasileiro do PVC, a diretora do Phthalates Esters Panel, Marian Stanley, mostrou que publicações recentes de grupos científicos internacionais como IARC (International Agency for Research on Cancer), FDA (Food and Drugs Administration), Environmental Protection Agency e Consumer Product Safety Commission (Estados Unidos), Institute for Health and Consumer Protection e Swedish National Board of Health and Welfare (Europa), têm demonstrado que os ftalatos são seguros para os seres humanos. A executiva, entretanto, alertou para a adoção de posicionamentos políticos em relação ao tema, especialmente na Europa, onde legisladores têm sofrido pressões de ambientalistas radicais. Segundo ela, a Europa está no caminho errado e não deve ser seguida por outros países.
Royal cria carrocerias em PVC para caminhões - De acordo com Carlos Torres, da Royal do Brasil Technologies S.A., o país perde cerca de R$ 2,7 bilhões/ano no transporte de grãos e o PVC minimiza esse problema. Além de não proliferar fungos e bactérias e ser completamente estanque, as propriedades de isolamento térmico do PVC (3 vezes superior ao alumínio), contribuem para a manutenção das temperaturas nas carrocerias, facilitando o transporte de alimentos perecíveis e outros materiais sensíveis ao calor, reduzindo gastos com o sistema de refrigeração.
PVC-madeira apresenta alta performance - O compósito PVC-madeira, desenvolvido pela Unidade Vinílicos da Braskem, já se mostrou eficiente na fabricação de perfis, batentes, corrimãos, rodapés, além de aplicações em móveis. Quando comparado com a madeira pura, apresenta as vantagens herdadas do PVC como resistência ao fogo, intempéries e insetos, além de sua reciclabilidade. O compósito também pode ser tratado como madeira em processos de colagem e montagem.
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