|
Íntegra
da edição n.º 11 Frascos de PVC: muito além da embalagem "Marta entra em uma loja de cosméticos. Dá uma olhada rápida nas prateleiras. Está em busca de produtos de higiene e beleza para sua família. Os produtos que sempre consumiu não têm mais graça O perfume parece que perdeu o cheiro, o xampu deixou de encorpar os cabelos e aquele creme para amaciar a pele não faz mais efeito. Hora de trocar todas as marcas. Mas o que escolher? O design de algumas embalagens a atrai. Ela se aproxima. O xampu com embalagem colorida, formas diferentes e tampa que facilitará seu uso parece o ideal. Logo ao lado, vai em direção à linha infantil. O frasco de condicionador em forma de urso com certeza irá fazer com que seu filho tenha mais vontade de tomar banho. Mais adiante, um jogo de creme para rosto, corpo e mãos, que mais parecem enfeites para o banheiro, chama sua atenção. Pela sofisticação das embalagens com certeza o produto é bom pensa. Por fim pega o gel colorido, com embalagem transparente, que o filho mais velho pediu". Esse tipo de situação tem sido freqüente. Já há algum tempo o design tem influenciado o consumidor brasileiro que procura por produtos que esbanjem beleza, praticidade e leveza. As empresas nacionais estão deixando para trás as cópias, muitas vezes mal feitas, dos modelos estrangeiros de produtos que são feitos para encantar as pessoas e muitas vezes para durar a vida toda. Esse fato vem abrindo um novo mercado para os designers, que cada vez menos são rotulados como criadores de cadeiras e luminárias exóticas, passando a fazer parte da criação dos bens de consumo nas indústrias, principalmente de embalagens. Nessa constante busca de atrair os consumidores, as indústrias de frascos cada vez mais estão utilizando o plástico, em particular o PVC, material leve, flexível e sobretudo versátil, que permite ao designer dar asas à sua imaginação na hora de criar, agregando valor ao produto final. "No início, as embalagens e frascos surgiram para proteger e permitir o transporte do produto. Com o surgimento dos supermercados, elas assumiram uma nova função: a de vendedor, ou seja, ela está lá na prateleira e tem que atrair o consumidor", comenta Alain Besse, diretor da Rionil, que produz cerca de 10 mil toneladas/ano de compostos de PVC para frascos e embalagens. De acordo com ele, agora, as embalagens estão iniciando uma nova fase: além de vender, dão lucro. "Você tem determinada embalagem de um produto e nela há um cupom que dá desconto na compra de outro produto da mesma marca", explica. Há ainda algumas que possuem espaço reservado para outras publicidades, geralmente de ONG'S. E para exercer todas essas funções, as empresas, principalmente as de cosméticos, estão adotando o PVC em suas embalagens, que permite aos objetos ganharem formas que facilitam o manuseio, tornando-os mais bonitos, divertidos e agradáveis. "Além da transparência, o PVC possui a grande vantagem de ser aditivado, ou seja, você acrescenta à matéria-prima virgem aditivos que ajusta o composto de acordo com as exigências do cliente e do seu produto final", explica Besse. O mercado, segundo o entrevistado, sempre aceitou bem os frascos de PVC. "Há muito espaço ainda para o PVC", comenta. Besse ainda fala da tecnologia empregada no setor. Na opinião do entrevistado, cada vez mais a automatização vem tomando parte do processo de produção. Certas granulações e especificações agora são controladas por computadores, garantindo margens de erro praticamente nulas. "Daqui a uns dois ou três anos, só veremos nas estradas caminhões-silos, que colocam a matéria-prima direto na máquina", conclui Besse. Design, PVC e Meio Ambiente A escolha do material mais adequado para resolver as questões que se apresentam é uma das preocupações constantes dos designers quando estão criando seus produtos. Os materiais utilizados devem levar em consideração vários aspectos como conforto, beleza e praticidade, buscando sempre a melhor relação custo-benefício. O PVC é um dos materiais, que além de reunir essas vantagens, possui uma versatilidade que facilita o desenvolvimento do design. Isso pode ser observado, por exemplo, nos diferentes tipos de embalagens de produtos - de vinagre a sabonete líquido - que lotam as gôndolas dos supermercados, nos tubos e conexões e em suas formas de encaixe, em objetos de uso cotidiano como jarras e até em bolsas usadas para armazenar sangue, e nos mordedores usados pelas crianças na fase de dentição. O design está presente tanto nos produtos mais sofisticados quanto nos mais simples. Mas um dos grandes méritos do uso do PVC reside no fato de que ele é totalmente reciclável. Pode ser reaproveitado e dar origem a novos produtos. Nos dias de hoje, em que a preservação ambiental tornou-se imperativa para a sobrevivência do planeta e de seus habitantes, a reciclagem é uma das grandes preocupações da indústria brasileira e de seus designers. A reutilização do material representa dupla economia: de recursos da natureza e de custos. Por tratar-se de um plástico, o PVC é obtido do petróleo e do sal marinho, recursos naturais. Mas quem pode nos garantir, por exemplo, que as reservas de petróleo são infinitas? Este será um dos grandes desafios das indústrias e dos designers no novo milênio: criar produtos nacionais em condições de competir em pé de igualdade no mercado globalizado, que levem em conta o design, a competitividade e a questão ambiental. Por Engº. Milly Teperman
Especialista
mundial em plastificantes mostra Em 9 de fevereiro, o Instituto do PVC promoveu a conferência- debate "O uso dos ftalatos na Europa - situação atual e perspectivas", proferida pelo Dr. David Cadogan, diretor executivo da ECPI, especialista em plastificantes e, também, porta-voz da indústria junto à União Européia. O evento contou com a presença de cerca de 80 representantes da cadeia produtiva do PVC. Na oportunidade, o Dr. Cadogan fez uma ampla explanação sobre o uso dos aditivos nas mais variadas aplicações. Além dos aspectos técnicos e toxicológicos, o especialista enfatizou as vantagens do uso de ftalatos e suas alternativas, deixando Dr. David Cadogan evidente que a estratégia da entidade é trabalhar arduamente para mostrar que não há qualquer justificativa científica nas críticas que vêm sendo feitas contra essa classe de aditivos. Acontece: Agenda
Café da Manhã:
Pelos Continentes
França: DOP é confirmado como não cancerígeno A decisão do IARC (Agência Internacional para Pesquisa de Câncer) de retirar o DOP (di-octil-ftalato) da lista de possíveis carcinogênicos e classificá-lo como substância que não pode ser considerada como causadora de câncer nos seres humanos, foi tomada por 28 especialistas de 12 países reunidos na cidade de Lyon, França, no dia 22 de fevereiro. Esta decisão confirma os resultados de extensa pesquisa científica realizada nas últimas décadas e vai ao encontro do posicionamento de muitas outras entidades internacionais (incluindo-se aqui a Comissão Européia) e vários cientistas independentes. Isto equivale dizer que os ftalatos podem continuar sendo usados sem oferecer qualquer risco à saúde humana. República Tcheca: Governo cancela todas as restrições às embalagens de PVC No primeiro trimestre 1998, o governo tcheco anunciou uma série de medidas visando restringir a importação e o uso das embalagens de PVC. Na época, o Greenpeace obteve sucesso em suas ações com os membros do Ministério da Saúde, de onde saíram as restrições. A cadeia produtiva do PVC promoveu diversas reuniões com o governo e uma reavaliação foi proposta para o final de 1999. Em dezembro passado, após diversas análises científicas pelos produtores, transformadores e importadores de PVC, o Parlamento do País votou e anulou a decisão anterior, cancelando todas as restrições à fabricação e importação das embalagens de PVC. Coréia do Sul: Cadeia produtiva funda entidade para promover a imagem institucional do PVC Reunidos em Seul, no dia 13 de abril, representantes da cadeia produtiva do PVC de toda a região Ásia/Pacífico fundaram a entidade "Asia Pacific Vinyl Network - APVN" para promover e proteger a imagem do produto. Na oportunidade, estiveram presentes executivos da Austrália, Japão, Malásia, Indonésia e Tailândia que puderam apresentar os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos e a situação atual em cada um dos seus países. Indústria automobilística intensifica reciclagem do PVC Apesar da tentativa do uso do "eco-marketing" contra o PVC lançada por uma montadora de veículos ao final do ano passado, as grandes indústrias automobilísticas vem intensificando seus programas de reciclagem do PVC. Peugeot, Citröen e Renault são alguns desses exemplos. Aliados aos transformadores e produtores de PVC, as empresas formaram uma associação chamada "Autovinyle", especializada na reciclagem dos revestimentos dos painéis de instrumentos e bancos. Ao final de 1998, após 2 anos de operação, a "Autovinyle" já havia reciclado 2.570 toneladas de resíduos de PVC. Esse número está dentro das previsões iniciais de que o projeto estaria reciclando cerca de 5 mil toneladas de PVC no ano 2000. Novos desenvolvimentos e novos designs ampliam o mercado de protetores de parede em PVC para locais de grande circulação Graças à utilização de novas formas e cores, os protetores de paredes em PVC não estão mais sendo usados apenas com finalidade estética, mas também como produtos extremamente úteis em ambientes como escolas, hospitais e indústrias. Os novos protetores de parede em PVC foram desenvolvidos para serem mais duráveis, sem perder a beleza e estética dos produtos usados nas residências . Visando melhorar a resistência ao choque, os arquitetos e designers de uma empresa em Toulouse, França, efetuaram diversos ensaios de laboratório demonstrando que esses novos materiais são capazes de resistir choques de até 320 kg a uma velocidade de 3 km/h, além de garantirem a higiene nos locais de trabalho. Muito além das embalagens de PVC: De cara nova com o PVC A Niasi, fabricante de cosméticos para o corpo e cabelos, resolveu inovar os frascos da tintura Biocolor, produto principal da empresa, abandonando o vidro e passando a utilizar o PVC. O vidro quebra com certa facilidade, diferente do PVC, afirma José Ricardo Calil, diretor de marketing da Niasi. De acordo com ele, isso faz com que o produto perca lugar na gôndulas das lojas. A tintura acaba ficando lá no cantinho da última prateleira, fora da visão da nossa consumidora final, explica. Além do frasco ( que atinge uma produção de 1,5 milhão por mês), a embalagem e a formulação do produto também foram aperfeiçoadas. Calil conta que antes da empresa escolher qual o material que iria substituir o vidro, realizou testes com diversos termoplásticos e o único que atendeu a todos os requisitos foi o PVC. "O PVC foi o material que suportou melhor a expansão de gases, principalmente no transporte, onde as embalagens são submetidas a altas temperaturas", diz. Outras características do PVC apontadas por Calil são brilho e transparência, além da facilidade de decoração na aplicação de rótulos e silk sereen. "Outra vantagem é que vamos ter uma redução de até 20% no nosso custo final", comenta. "Com essa mudança de embalagem, estamos esperando também um aumento nas vendas", conclui Calil. PVC: plugado com o mercado externo "Hoje em dia, nota-se que a embalagem é fator determinante na venda dos produtos", comenta Leonardo Arcuri Neto, presidente da Igaratiba, empresa que transforma 150 toneladas de PVC por mês. Na visão de Arcuri, as empresas têm se mobilizado, criando novas alternativas. "Temos o que há de melhor, não devemos nada a ninguém de fora", orgulha-se. "Estamos plugados no mundo e globalizados nesse sentido", afirma o presidente. No mercado há 20 anos, a Igaratiba utiliza o PVC há 10. "Nos identificamos muito com o PVC. Temos linhas de produtos de sucesso. Estamos sempre inovando nas embalagens e nos produtos. O PVC permite isso", diz Arcuri. "O PVC é um material indispensável para a fabricação de frascos e embalagens, principalmente no setor de cosméticos", completa. De acordo com o entrevistado, o mercado está melhorando cada vez mais. A matéria-prima é ótima e a prestação de serviços também. "A beleza que o PVC transfere a determinados produtos não é alcançada com nenhum outro material. Sou fã do PVC", conclui. Nos tempos da transparência O futuro das empresas de transformação de frascos de PVC está na criatividade de cada uma delas. Assim pensa Alexandre Romero, diretor executivo da Inter-unidas, empresa fabricante da linha de cosméticos N.Y Looks que equivale a 1,6 milhão de frascos de PVC. "Trabalhamos com uma linha de produtos para cabelos, principalmente gel. Temos que ter uma embalagem transparente e bonita. O interessante do gel é ver sua cor e suas bolhinhas de ar. O PVC é perfeito. Outras resinas deixam a embalagem opaca", comenta. Na opinião de Romero, o segredo é investir em tecnologia. "A máquina utilizada é a alma do negócio", afirma. A ordem é otimizar e, para isso, nada melhor do que automatizar para ganhar em tempo, preço e produtividade, além da qualidade. "O mercado de resina teve um grande avanço. Hoje pode-se fazer um composto de acordo com as necessidades de cada cliente, ou seja, se ele quer mais brilho, menos transparência, e se quer cor, entre outras características. Tudo para atender as exigências do próprio mercado", explica o diretor comercial. Proporcionar cristalinidade, beleza, qualidade e preço competitivo. Esse é o papel do PVC na indústria de frascos hoje em dia. PVC para atrair o consumidor "Quem não tem nada para esconder coloca no PVC", afirma Walfredo de Oliveira, gerente comercial da Monte Sião Plásticos, empresa que produz um milhão e meio de frascos de PVC por mês. De acordo com ele, a transparência é a grande vantagem proporcionada pelo PVC, principalmente no setor de cosméticos, onde todo o consumidor quer ver o que tem dentro da embalagem. É como chegar em um local cheio de gente. As pessoas que vão se destacar e chamar a atenção logo de cara serão as mais bonitas e bem vestidas. Na opinião de Oliveira, o consumidor está cada vez mais exigente. "Ele não aceita mais qualquer coisa. Se o produto não estiver com uma 'roupa bonita' não o compra. As embalagens tomaram um rumo diferente", diz. A empresa, especializada em PVC, também produz frascos para os setores automobilístico e de limpeza. "O mercado é crescente. Antigamente, quando entrava o outono e o inverno havia um decréscimo na produção. De três anos para cá, isso não tem acontecido mais. Temos trabalhado 24 horas por dia", analisa satisfeito o gerente. Os avanços da tecnologia têm ajudado bastante o setor. Além da margem de erro ter diminuído, a qualidade dos moldes está melhor. "Agora os fabricantes de moldes são nossos parceiros. Um molde com qualidade é de suma importância", comenta Oliveira. Clique aqui para fazer o download (0,59 MB) |